Lição 02 – ESabatina – O conflito – 07 a 14 de outubro de 2017

Lição 02 O CONFLITO

Albino Marks

“A lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Cristo” (Jo 1:17).
Sábado, 07/10/17
INTRODUÇÃO
“Porque todos nós temos recebido da Sua plenitude e graça sobre graça. Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo” (Jo 1:16, 17, Almeida Revista e Atualizada).
Os tipos, para ensinar o plano da salvação, foram transmitidos por intermédio de Moisés. Anunciavam, ensinavam e orientavam por meio dos ritos e símbolos sobre tudo o que seria encontrado em realidade viva e superabundância no Antítipo, Cristo, porque Ele é o centro do plano da salvação e o fundamento para ensinar o plano da salvação é o santuário. “O teu caminho, ó Deus, está no santuário” (Sl 73:17 e 77:13, Almeida Revista e Corrigida).
Até a cruz, os ritos e símbolos eram o instrumento de Deus para ensinar o plano da salvação, mas quando a realidade veio – Cristo Jesus – o esboço típico ainda que não perdendo o seu valor, perdeu em brilho e grandeza. O Antítipo real, Cristo, superou as expectativas em graça sobre graça, proclamando a verdade salvadora.
A longa disputa entre o bandeirante da fé e os judaizantes feriu-se em torno de um e um só ponto – a vigência da lei cerimonial com força no rito da circuncisão.
“Nas igrejas da Galácia, aberta e desmascaradamente estava o erro suplantando a mensagem do evangelho. Cristo, o verdadeiro fundamento da fé, fora virtualmente renunciado pelas obsoletas cerimônias do judaísmo. O apóstolo viu que para que os crentes da Galácia fossem salvos das perigosas influências que os ameaçavam, as mais decisivas medidas deviam ser tomadas, dadas as mais penetrantes advertências” (Atos dos Apóstolos, p. 385).
Mesmo rejeitando a vigência do ritualismo após a cruz, Paulo aceitava e cria nas profundas lições ensinadas pelos símbolos. Perante Félix e os seus acusadores ele declara: ”Acreditando em todas as coisas que estejam de acordo com a lei e nos escritos dos profetas” (At 24:14, Almeida Revista e Atualizada). Já em Roma, como prisioneiro, apresentando Jesus como Salvador, procurava persuadir seus ouvintes judeus, “tanto pela lei de Moisés, como pelos profetas” (At 28:23, Almeida Revista e Atualizada).
Sem a lei das cerimônias, praticada pelos israelitas durante séculos, Paulo não teria nenhum ponto de apoio para anunciar Jesus como o Messias prometido. O método usado por Paulo para anunciar para os judeus que Jesus era o prometido e esperado Messias, foi o método usado por Jesus para anunciar a Si mesmo o Redentor prometido: “E começando por Moisés e todos os profetas, ele lhes explicou em todas as Escrituras o que lhe concernia” (Lc 24:27, Tradução Ecumênica da Bíblia).
PENSE “A lei cerimonial foi dada por Cristo. Mesmo depois que ela não mais devia ser observada, Paulo apresentou-a aos judeus em sua verdadeira posição e valor, mostrando o seu lugar no plano da redenção e sua relação para com a obra de Cristo; e o grande apóstolo declara gloriosa esta lei, digna de seu divino Originador. O serviço solene do santuário tipificava as grandiosas verdades que seriam reveladas durante gerações sucessivas. A nuvem de incenso que ascendia com as orações de Israel, representa a Sua justiça que unicamente pode tornar aceitável a Deus a oração do pecador; a vítima sangrenta sobre o altar do sacrifício, dava testemunho de um Redentor vindouro; assim, através de séculos e séculos de trevas e apostasia, a fé se conservou viva no coração dos homens até chegar o tempo para o advento do Messias prometido” (Patriarcas e Profetas, p. 381 e 382).
DESAFIO “No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29, Almeida Revista e Atualizada).
Domingo, 08/10/17
UMA ALIANÇA SUPERIOR
Os israelitas e judeus ao longo do tempo perderam de vista o verdadeiro significado do regime sacrifical e, quando Cristo, o verdadeiro Cordeiro, em oferta sobre o Calvário lhe pôs termo, não compreenderam nem aceitaram esta dádiva Suprema, Superior. Apegavam-se ao argumento ainda hoje usado por muitos: “Nossos pais assim viveram e praticaram a sua religião e do mesmo modo continuaremos”.
Onde quer que Paulo e os apóstolos anunciavam a caducidade da aliança dos ritos e símbolos, substituída pela aliança Superior da morte substituta de Cristo, o centro da fé do plano da salvação, os judaizantes lhes faziam oposição ferrenha. Motivo que o levou a escrever, primeiro para os Gálatas e mais tarde, para os Romanos, expondo de modo claro o fim da aliança da lei das cerimônias, e a superioridade da aliança da realidade da fé, Cristo Jesus.
O profeta declara: “Foi do agrado do Senhor, por amor da Sua própria justiça, engrandecer a lei e fazê-la gloriosa” (Is 42:21, Almeida Revista e Atualizada).
Deus, na vida e morte de Jesus, engrandeceu a lei e a tornou gloriosa. “Desde o princípio a grande controvérsia fora a respeito da lei de Deus. Satanás procurara provar que Deus era injusto, que Sua lei era defeituosa, e que o bem do Universo exigia que ela fosse mudada” (Patriarcas e Profetas, p. 65).
Paulo declara: “Deus o fez: por causa do pecado, enviando Seu próprio Filho na condição da nossa carne de pecado, ele condenou o pecado na carne, a fim de que a justiça exigida pela lei seja realizada em nós” (Rm 8:3 e 4, Tradução Ecumênica da Bíblia).
A justiça exigida pela lei foi realizada em nós na pessoa de Cristo, como nosso Substituto, porque nós somos o culpado e condenado. Com esta solução o diabo não contava quando enganou Eva e fez Adão pecar.
Na vida e morte de Jesus, Deus responde à acusação de Satanás, engrandecendo e magnificando a lei moral, executando em Jesus a justiça da sentença de morte da lei, e declarando a sua eternidade e imutabilidade. A gloria da lei moral foi engrandecida na morte substituta de Jesus. A lei exigia a morte do transgressor culpado. Esta sentença não podia ser revogada; teria de ser cumprida. Jesus, com a Sua morte Substituta a cumpriu, glorificando e engrandecendo a lei moral.
PENSE Somente Cristo, o Criador do homem e Autor da lei moral, podia e pode operar a restauração do transgressor. Como? Abolindo a lei moral? Não! Antes confirmando a lei moral. Abolir a lei moral é algo impossível. Ela é o transcrito do caráter de Deus, é a constituição do Seu reino. Abolir a lei moral, portanto, implica em abolir o caráter de Deus, e abolir a natureza do Seu Reino. Todavia, Ele assevera: ”Porque eu, o Senhor, não mudo” (Ml 3:6, ARA). “Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre” (Hb 13:8, ARA). Oh! Sim, a divindade é imutável, portanto a transcrição do Seu caráter, a lei moral, também é imutável.
DESAFIO “Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus” (2Co 5:21, Nova Versão Internacional).
Segunda, 09/10/17
LEIS E REGULAMENTOS JUDAICOS
O Novo Testamento, escrito em grego, traz a palavra “nómos” = lei, traduzida do hebraico “Torah”, palavra que engloba toda a legislação de Israel, contida no Pentateuco, mas que também designa todas as orientações e instruções da Escritura do Velho Testamento, pode também se referir a um conjunto específico de leis, dos que compõe toda a “Torah”. Portanto, a palavra “nómos”, no grego, pode referir a todo o Velho Testamento, ao Pentateuco, à lei dos Dez Mandamentos, à lei cerimonial, à lei sacerdotal, às leis de saúde, às leis civis…
Paulo usa a mesma palavra, “nómos”, para referir a todo o Velho Testamento, ao Pentateuco, ou a qualquer conjunto de leis. O contexto evidencia de que lei está falando.
Portanto, para compreender de maneira correta o argumento fundamentado na palavra “nómos”, lei, é preciso dar atenção ao contexto. Exemplifiquemos este princípio de interpretação com referências da Escritura.
“Nómos” designando toda a Escritura. “Replicou-lhes Jesus: ‘Não está escrito na vossa lei (nomu): Eu disse: sois deuses’” (Jo 10:34, ARA).
Jesus está citando o Salmo 82:6, e afirma que a declaração faz parte da lei, a legislação dada para Israel. Jesus está envolvendo toda a Escritura existente em Seu tempo, que hoje denominamos Velho Testamento, nesta Sua declaração, para dizer que toda a Escritura é a lei.
“Nómos” designando o Pentateuco. Para os dois discípulos no caminho para Emaús, “Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei “nomu” de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras” (Lc 24:44 e 45, ARA).
Nesta declaração: “Na lei, “nomu”, de Moisés”, Jesus envolve o Pentateuco todo.
“Nómos” designando a lei moral. Para os Romanos, Paulo declara: “Eu não saberia o que é cobiça, se a Lei “nómos” não dissesse: ‘Não cobiçarás’” (Rm 7:7, NVI) Está evidente que Paulo está fundamentando a sua declaração na lei moral, os Dez Mandamentos.
“Nómos” designando a lei cerimonial. Para os Hebreus é declarado que: “A Lei “nómos” traz apenas uma sombra. (…) Por isso ela nunca consegue aperfeiçoar, mediante sacrifícios repetidos ano após ano” (Nova Versão Internacional). Que lei era uma sombra mediante sacrifícios repetidos? A lei cerimonial.
PENSE “Nómos” designando a lei sacerdotal. Ainda em Hebreus 8:4, é declarado que Jesus não poderia exercer essa função “se ele estivesse na terra (…) segundo a lei, ‘nomon’” (Almeida Revista e Atualizada). Jesus não pertencia à tribo de Levi, nem à família de Arão.
DESAFIO “Começando com Moisés, o próprio Alfa da história bíblica, Cristo expôs em todas as Escrituras as coisas que Lhe diziam respeito. Houvesse primeiro Se manifestado a eles, seu coração teria ficado satisfeito. Na plenitude de sua alegria, não teriam desejado nada mais. Mas era necessário que compreendessem os testemunhos dados a respeito dEle pelos símbolos e profetas do Antigo Testamento. Sua fé devia ser estabelecida sobre essas verdades. Cristo não operou nenhum milagre para os convencer, mas Seu primeiro trabalho foi explicar-lhes as Escrituras. Haviam considerado Sua morte a destruição de todas as suas esperanças. Então, Ele lhes mostrou pelos profetas que essa era a mais vigorosa prova de sua fé. […] Ensinando esses discípulos, Jesus mostrou a importância do Antigo Testamento como testemunha de Sua missão” (Desejado de Todas as Nações, p. 796-799).
Terça, 10/10/17
CONFOROME O COSTUME DE MOISÉS
Já foi destacado que o conflito espiritual que atingiu a igreja apostólica foi a transição da aliança estabelecida por Deus, com seus ensinamentos sobre o plano da salvação, fundados sobre ritos e símbolos típicos, apontando para o verdadeiro fundamento, Cristo Jesus. Com o ministério e a morte substituta de Cristo, os tipos perderam o seu significado prático. Esta questão gerou um conflito entre Paulo e os judaizantes, que não compreenderam e não aceitaram esta transição.
No relato sobre o Concílio de Jerusalém realizado no ano 50 a.D., lemos em Atos 15:1 o argumento dos judaizantes: “Se não vos circuncidardes […] não podeis ser salvos”. Todavia, o ensino judaizante não se limitava a esse rito. Leiamos Atos 15:5: “É necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a lei de Moisés” (Almeida Revista e Atualizada). Fazendo da circuncisão o centro de seus ensinos, insistiam na observância de grande parte da lei cerimonial, normalmente conhecida como lei de Moisés, como fundamentos do plano da salvação, não compreendendo que a salvação é um ato da graça de Deus, totalmente centralizado na morte substituta de Cristo.
É certo, o rito da circuncisão era de importância capital para o israelita. Se não fosse circuncidado era condenado e eliminado do povo. “O incircunciso, que não for circuncidado na carne do prepúcio, essa vida será eliminada do seu povo; quebrou a minha aliança” (Gn 17:14, Almeida Revista e Atualizada. No entanto, em Cristo Jesus “nem a circuncisão é coisa alguma, nem a incircuncisão, mas o ser nova criatura” (Gl 6:15, Almeida Revista e Atualizada). Quem nasce espiritualmente pela fé em Cristo Jesus, já não está sob condenação, mesmo incircunciso. Isto lhes era muito difícil, quase impossível entender.
O Concílio analisou o problema e tomou as decisões adequadas. Tomada a decisão, dois líderes receberam uma carta, e foram enviados para Antioquia, onde primeiramente surgiu a dificuldade, com a missão de esclarecer as questões, desfazer as dúvidas provocadas pelo ensino judaizante e fortalecer a unidade da igreja. Na carta estão incluídas congregações já estabelecidas na Síria e na Cilícia (At 15:23).
PENSE “Deus, que conhece os corações, demonstrou que os aceitou (os gentios), dando-lhes o Espírito Santo, como antes nos tinha concedido” (At 15:8, Nova Verdão Internacional).
DESAFIO “Cremos que somos salvos pela graça de nosso Senhor Jesus, assim como eles também” (At 15:11, Nova Versão Internacional).
Quarta, 11/10/17
OS CRISTÃOS GENTIOS
Os judaizantes não eram judeus ortodoxos que praticavam todo o cerimonialismo israelita. Em Atos 15:5, Lucas em seu relatório sobre o Concílio de Jerusalém, traz informação valiosa: “Alguns fiéis oriundos do farisaísmo intervieram então para sustentar que era necessário circuncidar os pagãos e prescrever-lhes que observassem a lei de Moisés” (At 15:5, Tradução Ecumênica da Bíblia).
Portanto, eram judeus que pela pregação dos apóstolos aceitaram a Jesus como o Messias prometido e uniram-se à Igreja apostólica. No entanto, como desejavam manter a supremacia judaica e não perder as suas características de povo de Deus, passaram a insistir e ensinar que os cristãos necessitavam aceitar as práticas do cerimonialismo e especialmente o rito da circuncisão. Paulo qualifica estes judeus cristãos de falsos irmãos.
Sobre estas questões, Ellen G. White faz os seguintes comentários: “Os conversos judeus não eram geralmente inclinados a mudar tão rapidamente quanto a providência de Deus abria o caminho. […] Os judeus temiam que se as restrições e cerimônias de sua lei não fossem tornadas obrigatórias aos gentios como condição para se tornarem membros da igreja, as peculiaridades nacionais dos judeus, que até então os tinham mantido como um povo distinto de todos os outros povos, desapareceriam finalmente dentre os que recebiam a mensagem do evangelho” (Atos dos Apóstolos, p. 189).
É importante observar no relato de Lucas, em Atos 15, que nenhuma referência é feita sobre divergências em relação à lei moral, mas os debates foram acalorados em torno da vigência, defendida pelos judaizantes irredutíveis, e da não vigência, defendida pelos apóstolos, da lei cerimonial, já sem validade prática depois da morte substituta de Cristo.
Afinal a batalha fora ganha: nem mesmo Tito, grego incircunciso, foi obrigado a circuncidar-se. Esse incidente, que muitas vezes passa despercebido, foi significativo e de importância decisiva para a Igreja cristã em seus primeiros anos. Pois, se lá em Jerusalém não foi necessária a circuncisão de Tito, por que estendê-la ao mundo gentio? Não cabia.
É importante, também, depois de relatar a decisão do concílio (At 15:20), Lucas, converso vindo do paganismo, declarar que “desde tempos antigos, Moisés é pregado em todas as cidades, sendo lido nas sinagogas todos os sábados” (At 15:21, Nova Versão Internacional). Isso demonstra que não tinham divergências em relação à observância da lei moral.
PENSE “Os judeus se haviam sempre orgulhado de seu cerimonial de instituição divina; e muitos dos que se haviam convertido à fé de Cristo ainda sentiam que uma vez que Deus havia claramente esboçado a forma hebréia de adoração, era pouco provável que Ele tivesse autorizado uma mudança em quaisquer de suas especificações. Insistiam que as leis e cerimônias judaicas deviam ser incorporadas aos ritos da religião cristã. Eram tardos em discernir que todas as ofertas sacrificais não tinham senão prefigurado a morte do Filho de Deus, em que o tipo encontrou o antítipo, depois do que os ritos e cerimônias da dispensação mosaica não mais deviam perdurar” (Atos dos Apóstolos, p. 189).
DESAFIO “Ao contrário, devemos escrever a eles, dizendo-lhes que se abstenham de comida contaminada pelos ídolos, da imoralidade sexual, da carne de animais estrangulados e do sangue” (At 15:20, Nova Versão Internacional).
Quinta, 12/10/17
PAULO E OS GÁLATAS
Como a liderança israelita desvirtuou os símbolos e transformou os serviços espirituais em fonte de lucro material, o povo, como adoradores, não recebeu o ensino correto sobre o significado dos símbolos e ritos como tipos da graça. Sem o ensino correto, não compreendeu as importantes lições espirituais de todo o seu culto e, por esta razão não reconheceu em Cristo o verdadeiro Cordeiro de Deus, a manifestação da graça salvadora. O centro do plano da salvação foi desvirtuado e, portanto, torna-se fácil compreender porque não entendiam esta mudança pregada por Paulo, o fim dos ritos e sacrifícios, para a experiência espiritual centralizada diretamente em Cristo. Consequentemente continuaram ensinando e praticando o ritualismo, depois da cruz, como fora feito durante séculos ao longo de gerações. Sob estas circunstâncias, o cerimonialismo, que era o ensino sobre a graça, transformou-se em jugo legalista. A lei cerimonial, com todos os seus tipos, que deveriam conduzir a Cristo, tornaram-se pesado e inútil fardo, da salvação pelas obras.
A respeito do ensino judaizante escreve E. G. White: “Estes falsos ensinadores estavam misturando tradições judaicas com as verdades do evangelho. Desconsiderando a decisão do concílio geral de Jerusalém, impuseram aos crentes gentios a observância da lei cerimonial” (Atos dos Apóstolos, p. 383). Em suma, o ensino judaizante consistia na defesa da vigência do cerimonialismo, mesmo depois da morte vicária de Jesus.
A carta para os Gálatas foi escrita por Paulo para combater os estragos que os judaizantes estavam fazendo nas igrejas da Galácia. A carta para os Romanos foi escrita para prevenir os crentes contra os ensinos equivocados dos judaizantes. A carta para os Romanos é uma ampliação dos argumentos usados na carta para os Gálatas.
Os escritos de Paulo para os Gálatas e os Romanos constituem uma vigorosa argumentação sobre o fim do cerimonialismo como instrumento de ensino sobre o plano da salvação pela graça, e a manifestação da graça por intermédio da gloriosa e vitoriosa morte substituta de Jesus Cristo,
Paulo, em seus escritos, não alimentava qualquer dúvida em relação à vigência da lei moral. Também não possuía problemas em relacionar a graça, a fé, a justiça e a lei moral como um todo harmônico, expressando o caráter, o governo e o plano de salvação de Deus.
PENSE “Pois há muitos insubordinados, que não passam de faladores e enganadores, especialmente os do grupo da circuncisão. É necessário que eles sejam silenciados, pois estão arruinando famílias inteiras, ensinando coisa que não devem, e tudo por ganância” (Tt 1:10, 11, Nova Versão Internacional).
DESAFIO “Porque, por meio de um único sacrifício, Ele aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados” (Hb 10:14, Nova Versão Internacional).
Sexta, 13/10/17
ESTUDO ADICIONAL
Os judeus buscavam a justificação dos seus pecados por meio dos sacrifícios típicos, sem revelar a fé em Cristo, como o seu verdadeiro Substituto. Era a justificação legalista pela prática da lei cerimonial, sem o poder justificador da morte substituta de Cristo. Procuravam obedecer aos mandamentos da lei moral sem reconhecer a Soberania de Cristo. Era a santificação legalista pela prática da lei moral, sem o poder santificador da vida e da morte substituta de Cristo.
Hoje, o mundo espiritual crê na justificação pela fé na graça de Cristo, sem reconhecer a justiça da lei moral, executada nEle, como nosso Substituto, “para que as justas exigências da Lei (moral) fossem plenamente satisfeitas em nós” (Rm 8:4, Nova Versão Internacional). Crê na santificação pela fé na graça de Cristo, sem reconhecer a Sua Soberania pela obediência espontânea e amorosa da lei moral: “Se vocês Me amam, obedecerão aos Meus mandamentos” (Jo 14:15, Nova Versão Internacional).
O diabo inverteu os fatores, mas não alterou o produto.
Quem aceita a graça não se torna livre para viver na irresponsabilidade. Não se torna livre para adorar outros deuses, desonrar os pais, furtar, adulterar, matar, mentir, cobiçar.
Todas as práticas mencionadas envolvem conduta moral. Os preceitos da lei moral que orientam sobre a conduta nos aspectos envolvidos, não são questionados pelos ardorosos defensores da graça sem a lei. Aceitam estes preceitos e os ensinam como deveres que devem reger a conduta do verdadeiro filho de Deus e genuíno cristão. Argumentam que estes princípios de conduta são ensinados pelo Espírito Santo, para os que vivem sob a graça. Olvidam que o Espírito Santo já ensinou estes princípios, quando a graça era ensinada por meio de símbolos.
Em verdade, o centro de toda a questão da graça, encontra-se na observância do sábado como dia santo. Afirmam que a observância de um dia não tem nada de moral e, portanto, qualquer dia é adequado para ser considerado santo e dia de repouso e refrigério espiritual. No entanto, passam por alto a importante questão: a quem pertence o direito de definir a conduta espiritual: ao Superior ou ao inferior? Ao Senhor da lei ou àquele que deve cumpri-la? Se o Superior definiu que o sábado é o dia do Senhor, e “descansou […] abençoou o dia de sábado, e o santificou”, e, amorosa, mas enfaticamente diz a todos os Seus filhos: “Lembra-te do dia de sábado para o santificar” (Êx 20:11 e 8), por que continuar questionando que a observância do sábado e a graça são incompatíveis?
PENSE “Em verdade, em verdade, eu vos digo, aquele que comete o pecado é escravo do pecado. […] Se, portanto, é o Filho que vos liberta, sereis realmente homens livres” (Jo 8:34, 36, Tradução Ecumênica da Bíblia).
DESAFIO “Se permaneceis na minha palavra sois verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade fará de vós homens livres” (Jo 8:31, 32, Tradução Ecumênica da Bíblia).