Lição 03 ESabatina 14-21 de julho de 20102 -Tessalonica nos dias de Paulo

Lição 03 TESSALÔNICA NOS DIAS DE PAULO
Pr. Albino Marks
“Embora seja livre de todos, fiz-me escravo de todos, para ganhar o maior número possível de pessoas”. – 1Co 9:19 – Nova Versão Internacional.
INTRODUÇÃO – Ao longo do tempo as sociedades que a civilização conheceu foram influenciadas por diferentes filosofias nos vários aspectos que compõem o todo de uma sociedade: estrutural, espiritual, moral, político, econômico, social, educacional, etc.
Um problema enfrentado, que é crucial, é a compreensão da origem das filosofias que atuam sobre as sociedades, ou mais especificamente, sobre os indivíduos.
Jesus definiu esta questão das variadas filosofias de maneira simples, mas clara: “Qual a razão, porque não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra”. – Jo 8:32.
Este problema persiste através dos séculos. O ser humano é incapaz de ouvir e muito menos de compreender a palavra de Deus. No entanto, tal como os interlocutores de Jesus, ouve a palavra do inimigo. Jesus foi contundente: “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele… fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira”. – Jo 8:44.
Jesus fecha esta questão: “Mas, porque eu digo a verdade, não me credes… Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso não me dais ouvidos, porque não sois de Deus”. – Jo 8:45 e 47.
Jesus acusou os mestres judeus de que eles tinham por pai o diabo e buscavam satisfazer a sua vontade. Para Jesus, ser dominado pelo diabo não significa possessão visível e real, mas aceitar e defender as ideias do diabo. Jesus declarou: Eu conheço a Deus, que é meu Pai, e defendo as Suas ideias guardando a sua palavra. (Jo 8:54 e 55)
Para Jesus há apenas duas origens para as filosofias: A filosofia de Deus, fundamentada em Sua Palavra e as filosofias do diabo. Filosofias, porque o diabo cria uma gama diversificada, para satisfazer a todos os gostos.
Foi esta a situação filosófica encontrada por Paulo em Tessalônica e, para ser mais amplo: em todo lugar onde pregou o evangelho.
PENSE – “Respondeu Jesus: ‘Digo-lhe a verdade: Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito. O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito’”. – Jo 3:5 e 6 – Nova Versão Internacional.
DESAFIO – “E conhecerão a verdade e a verdade os libertará”. – Jo 8:32 – Nova Versão Internacional.
OS ROMANOS CHEGAM A TESSALÔNICA – Encontramos vários detalhes sobre a influência romana em Tessalônica, nos comentários da lição. Façamos uma rápida análise das influências externas das comunidades onde atuamos para estabelecer igrejas e expandir a mensagem do evangelho.
De maneira simples poderíamos classificar as comunidades em duas bastante distintas: Fechadas e abertas
As comunidades formadas por famílias conservadoras em seus costumes, com pequena movimentação de migrações, são fechadas e sua influência sobre a mensagem do evangelho é de rejeição. Especialmente quando a comunidade é pequena, onde todos são conhecidos entre si, a rejeição tende a ser bem mais forte.
Já as comunidades que são alvo de ondas migratórias, têm suas resistências enfraquecidas e tornam-se abertas. Os novos imigrantes que chegam ainda não firmaram raízes e não estabeleceram relacionamentos estáveis. Por estas circunstâncias não têm compromissos firmes com a comunidade e sentem-se livres para fazer seus amigos e também receptivos para a mensagem do evangelho e tomar suas próprias decisões nas escolhas em questões espirituais.
Circunstâncias similares a estas, criadas pela ocupação romana, atuaram sobre a comunidade de Tessalônica. Paulo encontrou terreno fértil para lançar a semente do evangelho. O êxito de Paulo, no entanto, despertou a inveja dos judeus nacionalistas e ortodoxos em suas crenças espirituais, que se opuseram de maneira ferrenha ao trabalho do apóstolo.
Essa oposição teve seu efeito em limitar a ação de Paulo, pois sentiu-se forçado em abandonar a cidade para não sofrer consequências mais danosas.
PENSE – “Quando forem perseguidos num lugar, fujam para outro”. – Mt 10:23 – Nova Versão Internacional
DESAFIO – “Vocês receberam de graça; dêem também de graça”. – Mt 10:8 – Nova Versão Internacional.
UMA RESPOSTA PAGÃ A ROMA – A guerra entre Cristo e Satanás concentra-se de modo muito definido em dois aspectos: espiritual e moral. É a guerra que envolve os valores: Verdade ou mentira. Jesus declarou para os líderes espirituais judeus: “Porque eu digo a verdade, não me credes… porque não sois de Deus”. “Vós sois do diabo, que é vosso pai,… e pai da mentira”.
Esta foi a situação que Paulo encontrou e enfrentou em Tessalônica. A sociedade de Tessalônica e outros lugares onde Paulo anunciou a verdade, estavam dominados pelas mentiras espirituais do diabo. Em Tessalônica, a mentira estava corporificada no culto a Cabirus. O autor da lição explica este culto em detalhes.
Quando o ser humano perde o senso do que é a verdade no terreno espiritual, perde o senso do certo e do errado no terreno moral. Pratica a mentira como sendo a verdade, se corrompe moralmente e para justificar a sua conduta agride quem defende a verdade. (Jo 8:59).
Paulo viveu esta situação em Tessalônica. Anunciando a Jesus, a verdade, despertou o antagonismo da mentira e não pôde demorar-se muito tempo na cidade.
Em que lado estamos nessa guerra espiritual? Quem ou o que orienta a nossa mente e conduta? Jesus, a verdade, já é o Senhor de nossas decisões? Ele já recebeu autorização para controlar o nosso estilo de vida?
A evidência de que Jesus assumiu o controle do nosso estilo de vida é descrita desta maneira pelo apóstolo João: “Deixem de amar este mundo mau e tudo o que lhes oferece, pois quando vocês amam estas coisas mostram que realmente não amam a Deus; porque todas estas coisas mundanas, estes maus desejos – a loucura pelo sexo, a ambição de comprar tudo o que atrai vocês e o orgulho que resulta da riqueza e do prestígio – não provém de Deus, e sim do próprio mundo pecaminoso”. – I João 2:15 e 16 – BV.
O pecado perde seu encanto e atração, porque o amor transformador de Jesus faz nascer uma vida de amor ao que é puro, justo, santo.
PENSE – “Abre os meus olhos para ver as coisas maravilhosas que há na Tua lei. Estou apenas de passagem aqui na terra, sou um viajante e preciso de Teus mandamentos para me orientar.” – Sl 119:18 e 19 – Bíblia Viva.
DESAFIO – “Percebi que aqui na terra não existe coisa alguma absolutamente perfeita. Somente as Tuas regras para o comportamento do homem são totalmente justas e perfeitas”. – Sl 119:96 – Bíblia Viva.
O EVANGELHO COMO PONTO DE CONTATO – A incessante e inquietante busca do ser humano é a realização e a felicidade. Para entender como este anseio pode ser satisfeito é preciso ir à origem do homem: De onde ele veio? Para que propósito está aqui? Para onde vai? A Escritura Sagrada declara: “Os que criei para minha glória”. – Is. 43:7. Esta é a questão básica que precisa ser compreendida pelo homem: Ele tem um Criador.
Este fato estabelece as condições de dependência e relacionamento. Por natureza, o homem tem dentro de si o senso da dependência que determina a necessidade do relacionamento. O homem foi criado como ser social que sente a necessidade de relacionar-se. Pode parecer estranho, mas satisfazer o senso de dependência e a necessidade do relacionamento, é que realiza o homem e o torna feliz.
O Salmista exclama: “Ó Senhor dos Exércitos, feliz o homem que em Ti confia”. – Salmo 84:12. Em outras palavras: feliz o homem que de Ti depende e contigo se relaciona.
Charles L. Alden: “O homem foi criado incompleto em si mesmo, e não se sente perfeitamente bem, enquanto não satisfaz esta fome profunda – o anseio de sua alma”. – A Psiquiatria de Deus, pág. 46.
O problema do homem reside no fato de separar-se de Deus e buscar a realização e a felicidade à sua maneira. Contudo, a desarmonia do homem com Deus e Seu padrão moral de conduta, coloca-o em desarmonia consigo mesmo. Esta desarmonia aguça sua necessidade de dependência e relacionamento, e busca satisfazê-la em outras fontes, outros deuses. Todavia, nenhuma outra relação preenche o relacionamento com o Deus Criador, Vivo e Eterno.
Foi para uma sociedade nestas condições, sem Deus e sem esperança, vivendo um vazio espiritual, que Paulo apresentou o único que satisfaz o senso de dependência e a necessidade de relacionamento – Jesus.
Porque a realização e a felicidade é fruto de um relacionamento de companheirismo, confiança, amor, de pertencer a alguém.
PENSE – “As pessoas que preferem adorar deuses falsos acabarão sofrendo duros castigos. Não desejo sequer mencionar os nomes desses deuses falsos, e muito menos oferecer sacrifícios a eles… Fiz do Senhor a minha companhia constante. Enquanto Ele estiver do meu lado, não tropeçarei. Por isso a minha alma, o meu espírito e o meu corpo ficam tranquilos e cheios de alegria… Tu me mostrarás os caminhos da vida. Junto a Ti há sempre a mais profunda alegria; ao Teu lado, os prazeres mais deliciosos da Tua eterna presença”. – Sl 16:4, 8, 9 e 11 – Bíblia Viva.
DESAFIO – “Atenção! Eu tenho permanecido à porta e estou batendo constantemente. Se alguém me ouvir chamá-lo e abrir a porta, entrarei e farei companhia a ele, e ele a Mim”. – Apoc. 3:20 – Bíblia Viva.
PAULO, “O PREGADOR DE RUA” – A natureza humana e os anseios do coração do homem são os mesmos através de todos os tempos. Os analistas da natureza humana costumam avaliar possíveis diferenças entre os tempos. O homem da época escura, da idade moderna e pós-moderna. Amanhã teremos uma nova nomenclatura. Até hoje não se demonstrou com argumentos convincentes de que a passagem do tempo atua sobre as inquietudes do homem. Também não importa a cor ou a classe social. Todo ser humano tem dentro de si o grande anseio de saber o sentido de sua existência.
Também foi assim nos dias de Paulo. Tal como em nossos dias, não faltavam aqueles que julgavam ter a resposta adequada. Os filósofos proliferavam pelas grandes cidades. Atenas era um centro de solucionadores dessa busca e exploradores da credibilidade ingênua e ansiosa de seus ouvintes.
Foi nesse ambiente que Paulo apresentou a sua mensagem. O homem precisa de uma mensagem que abra a sua visão para os grandes propósitos de sua breve e mal vivida existência.
Paulo anunciou e apresentou para seus ouvintes de rua o Deus Criador do céu e da terra. O único Deus verdadeiro. E esse Deus, tanto amou o homem, que enviou Seu filho para salvar pecadores.
William James, o pai da psicologia moderna, escrevendo para seu amigo, o professor Thomaz Davidson, disse: “À medida que os anos passam, me vejo cada vez mais impossibilitado de continuar o meu caminho sem Deus”.
Três reações distintas se apresentaram ante Paulo quando anunciou a Jesus em Atenas: Alguns riram e zombaram; outros disseram: “A respeito disto te ouviremos em outra oportunidade; queremos pensar sobre o assunto”. Outros decidiram que as suas vidas seriam diferentes daquele dia em diante. Eles passariam a viver por Cristo, testemunhando de Seu poder transformador.
A decisão por Cristo mudará a sua vida também.
PENSE – “Deleite-se no Senhor, e ele atenderá aos desejos do seu coração”. – Sl 37:4 – Nova Versão Internacional.
DESAFIO – “Tu me farás conhecer a vereda da vida, a alegria plena da tua presença, eterno prazer à tua direita”. – Sl 16:11 –Nova Versão Internacional.
IGREJAS NOS LARES – Em várias de suas cartas Paulo faz referência a Igrejas que se reuniam em lares. O autor da lição cita estes textos e esclarece como eram essas construções que favoreciam o encontro de até cem pessoas, que formavam pequenas Igrejas.
Quais seriam as razões da formação destas Igrejas em lares? O apóstolo em suas viagens de evangelização tinha por costume visitar primeiramente as sinagogas dos judeus. Expunha-lhes pelas Escrituras que o esperado Messias era Cristo Jesus. Muitos judeus e muitos gentios que haviam aceitado o judaísmo, ouvindo as explicações de Paulo, eram convencidos da importante verdade e se decidiam a favor da nova compreensão das profecias messiânicas e também dos simbolismos dos serviços do santuário.
Esta decisão criava um ambiente de conflito dentro das sinagogas impossibilitando a convivência de dois grupos no mesmo local. Um teria que sair. Mas para onde? Não era possível erigir uma nova construção em pouco tempo. O recurso era valer-se da residência apropriada de um dos novos conversos.
Encontramos um exemplo com estas circunstâncias durante o trabalho de Paulo na cidade de Corinto. “Todos os sábados ele debatia na sinagoga, e convencia judeus e gregos… Opondo-se eles… Paulo saiu da sinagoga e foi para a casa de Tício Justo,… e dos coríntios que o ouviam, muitos criam e eram batizados”. – At 18:4-8 – Nova Versão Internacional.
Não temos nenhuma evidência clara de que nesta casa se formou uma Igreja, mas pode compreender-se que se tonou um centro de evangelização. Consequentemente não é inviável admitir que todos os que tiveram que sair da sinagoga, passaram a reunir-se nesta casa. E, todos os que eram batizados, agregando-se ao grupo, necessitavam de um local para os encontros congregacionais. Muito provavelmente, a casa de Tício preencheu esta necessidade.
PENSE – “E a igreja que se reúne em sua casa”. – Cl 4:15 – Nova Versão Internacional.
DESAFIO – “No sábado saímos da cidade e fomos para a beira do rio, onde esperávamos encontrar um lugar de oração. Sentamo-nos e começamos a conversar com as mulheres que haviam se reunido ali”. – At 16:13 – Nova Versão Internacional.
ESTUDO ADICIONAL – É preciso ter uma correta compreensão da estrutura psíquica do homem, para melhor entender o seu modo de agir e responder às influências. A estrutura psíquica do ser humano, o seu Ego, é influenciado pelo Infra-Ego, formado pelas heranças e instintos que são legados pelos pais e o Super-Ego, representado pelo conjunto de valores que a sociedade lhe transmite. É a consciência moral, com base no código de conduta da sociedade. Estes valores são transmitidos mediante a educação no lar, na escola e no convívio dentro da sociedade nas lides do dia-a-dia ao longo dos anos.
Vivemos em um mundo que se encontra dividido em diferentes sociedades. Cada sociedade possui e orienta-se por seu próprio código moral, ou padrão de conduta. Os códigos divergem entre si e consequentemente os indivíduos apresentam conduta divergente. Uma sociedade orientada por código moral conservador determinará Egos com esta estrutura moral. Um código com tendências liberais determinará egos com esse estilo de conduta.
Dentro deste contexto, levantemos a questão: Existe algum código absoluto? Se existe, qual a sua influência sobre o meu Ego pessoal e sobre a minha sociedade?
O apóstolo Paulo lega estas palavras lapidares sobre a questão: “É por isso que eu estou sofrendo aqui na prisão, e é certo que não estou envergonhado disso, pois conheço Aquele em Quem confio e tenho certeza de que Ele é capaz de guardar em segurança tudo quanto eu lhe dei até o dia da Sua volta”. – ITm. 1:12 – Bíblia Viva. O relacionamento de Paulo, revelado através de seu estilo de vida, centralizava-se na Pessoa de Cristo: “Eu sei em quem tenho crido”.
Paulo não se preocupava com o que ele cria, mas em Quem depositava sua confiança. Seu relacionamento com o Quem, a Pessoa de Cristo, determinava seu estilo de vida e seu modo de conduta. Para Paulo, o Super-Ego não se constituía de um código com suas inumeráveis orientações para a conduta, mas a pessoa de Cristo Jesus que lhe servia de modelo e lhe inspirava o estilo de vida.
PENSE – “Entretanto, todas estas coisas que eu antigamente julgava muito valiosas, agora, lancei-as todas fora, a fim de poder pôr minha confiança e esperança somente em Cristo. Sim, todas as outras coisas perdem o valor quando comparadas com o ganho inestimável de conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor. Eu pus de lado tudo o mais, achando que valia menos do que nada, a fim de que possa ter a Cristo”. – Fp 3:7 – Bíblia Viva.
DESAFIO – “Quando alguém se faz cristão, torna-se uma pessoa totalmente nova por dentro. Já não é a mesma. Teve inicio uma nova vida!” – 1Co 5:17 – Bíblia Viva.