Lição 03 – ESabatina – A unidade do evangelho – 08 a 15 de 2017

Lição 03 A UNIDADE DO EVANGELHO

Pr. Albino Marks

“Completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude” (Fp 2:2, NVI).
Sábado, 01/07/17
INTRODUÇÃO
No segundo capítulo aos Gálatas, Paulo apresenta o seu chamado como apóstolo aos gentios. A seguir, com base na repreensão a Pedro, passa a demonstrar a caducidade do ritualismo, como sistema espiritual prático, e culmina sua argumentação exaltando a Cristo como o único justificador e Salvador. Demonstra também que todo o sistema espiritual ritualista era típico do relacionamento real com o Autor do plano da salvação.
João, o apóstolo do amor, em suas mensagens no livro do Apocalipse declara que o evangelho das boas novas da salvação é o mesmo desde a entrada do pecado até ao último convite de amor da parte de Deus: “E vi outro anjo que voava no meio do céu. Ele tinha de proclamar um Evangelho eterno a todos os que habitam sobre a terra: a toda nação, tribo, língua e povo” (Ap 14:6, Tradução Ecumênica da Bíblia).
“Proclamar um Evangelho eterno”. O que é eterno não sofre alteração em tempo algum. É o mesmo para todos os habitantes da Terra através de todos os tempos. O evangelho é um só.
Satanás sempre criou maneiras diferentes de apresentar o plano da salvação. Certamente um dos maiores e mais eficazes enganos, é a salvação pelos próprios méritos. Com suas falsas mensagens de salvação, Satanás introduz a divisão e destrói a unidade da fé entre o povo de Deus.
Nos dias de Paulo, o inimigo de maneira muito sutil, tentou destruir a unidade da Igreja, trazendo para o novo concerto práticas que eram válidas para o concerto com Israel, ensinando o evangelho através dos símbolos e ritos do santuário. Cristo Jesus, o centro do plano da salvação já havia vindo; logo, os ritos que para Ele apontavam, perderam o seu valor e importância, para dar lugar à Realidade tão ansiada e longamente esperada.
Como a Igreja estava se formando com a diversidade de nações, tribos, línguas e povos, Paulo enfrentou o grande desafio de manter a unidade do evangelho entre a diversidade de etnias. O centro do evangelho sempre foi a salvação pela fé na graça revelada por Jesus
PENSE –“Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para outro evangelho” (Gl 1:6, Nova Versão Internacional).
DESAFIO – “Se alguém lhes anunciar um evangelho diferente daquele que já receberam, que seja amaldiçoado” (Gl 1:9, Nova Versão Internacional).
Domingo, 02/7/17
A IMPORTÂNCIA DA UNIDADE
Rapidamente crescia a Igreja em seu alvorecer. No mundo gentílico as vitórias do Evangelho foram marcantes. Tornara-se necessária a organização para manter a unidade. É convocado o primeiro grande concílio, tendo como palco das reuniões a cidade de Jerusalém. Paulo compareceu, e em se referindo ao episódio, frisa que catorze anos se escoaram desde a sua primeira estada na capital judaica, como mensageiro da cruz. Anos estes, gastos na pregação do Evangelho em sua terra natal e mais tarde, na primeira grande viagem evangelística através da Ásia Menor, onde foram estabelecidas as igrejas às quais agora se dirige em sua carta aos crentes da Galácia.
Sobre estas questões, Ellen G. White faz os seguintes comentários: “Os judeus se haviam sempre orgulhado de seu cerimonial de instituição divina; e muitos dos que se haviam convertido à fé de Cristo ainda sentiam que uma vez que Deus havia claramente esboçado a forma hebreia de adoração, era pouco provável que Ele tivesse autorizado uma mudança em quaisquer de suas especificações. Insistiam que as leis e cerimônias judaicas deviam ser incorporadas aos ritos da religião cristã. Eram tardos em discernir que todas as ofertas sacrificais não tinham senão prefigurado a morte do Filho de Deus, em que o tipo encontrou o antítipo, depois do que os ritos e cerimônias da dispensação mosaica não mais deviam perdurar” (Atos dos Apóstolos, p. 189).
Paulo usa uma figura comparativa muito significativa para explicar a importância da unidade da Igreja: “Nossos corpos têm muitos membros, porém esses muitos membros formam um só corpo quando são todos postos juntos. Assim acontece com o “corpo” de Cristo. […] Isso produz harmonia entre os membros, que assim têm uns para com os outros, o mesmo cuidado que têm consigo mesmos. Se um membro sofrer, todos os outros sofrem com ele, e se um membro for honrado, todos os outros ficam satisfeitos”.
A Igreja é uma unidade e como tal precisa desenvolver-se de modo harmônico. O membro precisa aprender a envolver-se nesta harmonia perfeita através da dedicação de suas habilidades e de seu suporte financeiro. Precisa compreender que a Igreja é o corpo espiritual de Cristo, que se move como um todo harmônico.
PENSE “Subi em obediência a uma revelação, e lhes expus o evangelho que prego entre os gentios, mas em particular aos que pareciam de maior influência, para de algum modo, não correr ou ter corrido em vão” (Gl 2:2, Almeida Revista e Atualizada).
DESAFIO “Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo suplico a todos vocês que concordem uns com os outros no que falam, para que não haja divisões entre vocês; antes, que todos estejam unidos num só pensamento e num só parecer” (1Co 1:10, Nova Versão Internacional).
Segunda, 03/07/17
CIRCUNCISÃO E OS FALSOS IRMÃOS
O rito da circuncisão era de suma importância para o israelita. Se não fosse circuncidado era condenado e eliminado do povo. “O incircunciso, que não for circuncidado na carne do prepúcio, essa vida será eliminada do seu povo; quebrou a minha aliança” (Gn 17:14, Almeida Revista e Atualizada). Era o sinal de identidade do israelita com a aliança de Deus feita com Abraão (Gn 17:10-14). Era o sinal típico da inteira entrega da vontade, submissa a Deus.
No entanto, com Cristo Jesus, “nem a circuncisão é coisa alguma, nem a incircuncisão, mas o ser nova criatura” (Gl 6:15, Almeida Revista e Atualizada). Quem nasce espiritualmente pela fé em Cristo Jesus, já não está sob condenação, mesmo incircunciso. Isto lhes era muito difícil, quase impossível entender.
“Contudo, nem mesmo Tito, que estava comigo, sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se” (Gl 2:3, Almeida Revista e Atualizada.
Por que Tito fora levado a Jerusalém por orientação divina? Segundo o relatório de Atos 15, os debates em torno da circuncisão foram acalorados. De um lado, os judeus ritualistas irredutíveis, insistindo na aplicação do rito; do outro, Paulo e os apóstolos, resistindo a esta exigência já sem validade espiritual.
Afinal, a batalha fora ganha: nem mesmo Tito, grego incircunciso, foi obrigado a circuncidar-se. Esse incidente, que muitas vezes passa despercebido, foi significativo e de importância decisiva para a Igreja cristã em seus primeiros anos. Pois, se lá em Jerusalém, não foi necessária a circuncisão de Tito, por que estendê-la ao mundo gentio? Não cabia.
“E isto por causa dos falsos irmãos que se entremeteram com o fim de espreitar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus e reduzir-nos à escravidão” (Gl 2:4, Almeida Revista e Atualizada)
Os judaizantes não eram judeus ortodoxos que praticavam todo o cerimonialismo israelita. Pela pregação dos apóstolos aceitaram a Jesus como o Messias prometido e uniram-se à Igreja apostólica. No entanto, como desejavam manter a supremacia judaica e não perder as suas características de povo de Deus, passaram a insistir e ensinar que os cristãos necessitavam aceitar as práticas do cerimonialismo e especialmente o rito da circuncisão. Paulo qualifica estes judeus cristãos de falsos irmãos.
PENSE “Os conversos judeus não eram geralmente inclinados a mudar tão rapidamente quanto a providência de Deus abria o caminho. […] Os judeus temiam que se as restrições e cerimônias de sua lei não fossem tornadas obrigatórias aos gentios como condição para se tornarem membros da igreja, as peculiaridades nacionais dos judeus, que até então os tinham mantido como um povo distinto de todos os outros povos, desapareceriam finalmente dentre os que recebiam a mensagem do evangelho (Atos dos Apóstolos, p. 189).
DESAFIO “Aos quais nem ainda por uma hora nos submetemos, para que a verdade do evangelho permanecesse entre vós” (Gl 2:5, Almeida Revista e Atualizada).
Terça, 04/07/17
UNIDADE NA DIVERSIDADE
“Por causa dos falsos irmãos”. Assim Paulo se refere aos judaizantes. Não fossem eles, toda aquela polêmica teria sido evitada. No entanto, já em Antioquia haviam criado situações embaraçosas para o Evangelho, e em Jerusalém, sua tenaz oposição à liberdade em Cristo, não permitiu cochilo algum da parte do apóstolo. Seus esforços, porém, não foram em vão.
Talvez, muitos em nosso tempo têm dificuldades idênticas aos dos judeus convertidos no início da Igreja cristã. Como a lei da circuncisão e as leis cerimoniais deixaram de fazer parte dos serviços espirituais, outros aspectos relativos à adoração também podem ser colocados de lado. Insistem muitos cristãos, especialmente sobre o dia separado por Deus como sagrado dentro do ciclo semanal. Afinal, qual a diferença de um dia em relação a outro? Aparentemente o argumento faz sentido. No entanto, quando se compreende que para ensinar o plano da salvação como um dom de Sua graça, Deus instituiu um método substituto até que viesse “o Descendente prometido”, tudo se esclarece. Compreendendo que o plano da salvação é único para todos os tempos e todos os homens, mas que os métodos de ensino são adaptados às duas dispensações, antes e depois da cruz, as dúvidas se dissipam.
O corpo da Igreja é formado por muitos membros, e também ali Deus colocou a diversidade, sem comprometer a unidade. Em Mateus 25:15 Jesus deixa evidente que a diversidade é parte do plano de Deus para desenvolver o caráter de Seus filhos. Ele concede habilidades e capacidade para administrar: “a cada um segundo a sua própria capacidade”. Todavia, a capacidade também é uma bênção de Deus. Por que todos não recebem na mesma proporção esta bênção? Deus não é um estereótipo de uniformidade. Nada segue a lei da uniformidade no programa divino. Não existem dois seres humanos iguais, não existem dois digitais iguais, não existem duas folhas iguais mesmo na mesma árvore, não existem dois flocos de neve iguais… O Deus Criador é o Deus da unidade dentro da diversidade, mas não, da uniformidade.
O argumento de Paulo em relação aos dons espirituais lança luz sobre esta questão: “E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus opera tudo em todos” (1Co 12:6).
PENSE “Mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus” (1Co 1:24, Nova Versão Internacional).
DESAFIO “De modo que nem o que planta nem o que rega são alguma coisa, mas unicamente Deus, que efetua o crescimento” (1Co m3:7, Nova Versão Internacional).
Quarta, 05/07/17
CONFRONTO EM ANTIOQUIA
“Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe face a face, porque se tornara repreensível” (Gl 2:11, Almeida Revista e Atualizada).
Posteriormente ao Concílio em Jerusalém, onde a posição da Igreja em relação ao cerimonialismo foi claramente estabelecida, Pedro visitou a florescente congregação de Antioquia. É importante lembrar que esta, em sua grande totalidade, era constituída de conversos gentios. Estes, nunca haviam praticado o cerimonialismo israelita, mas antes de aceitar a mensagem da salvação pela fé na graça de Deus através de Cristo, eram escravos do pecado e de práticas rituais do paganismo.
O apóstolo Pedro referindo-se à escravidão dos gentios em sua vida pecaminosa, assim a descreve: “Já é bastante, sem dúvida, ter feito no passado a vontade dos gentios vivendo na devassidão, nas concupiscências, na embriaguez, nas orgias, bebedices e idolatrias infames” (1Pe 4:3, Tradução Ecumênica da Bíblia.
Esta compreensão é um ponto fundamental para entender com clareza toda a argumentação de Paulo quando fala sobre escravidão do pecado, jugo de escravidão, obras da lei, fé, graça, liberdade em Cristo, e todo o processo de justificação do pecador.
“Com efeito, antes de chegarem alguns da parte de Tiago, comia com os gentios; quando, porém, chegaram, afastou-se e, por fim, veio a apartar-se, temendo os da circuncisão” (Gl 2:12, Almeida Revista e Atualizada).
Assinale-se um ponto importante deste verso. A repreensão está ligada ao rito da circuncisão. Esse rito, como já foi analisado, era de primeira importância no regime cerimonial. Era o sinal de identidade nos filhos de Israel.
Pedro compreendera e aceitara a salvação pela fé em Jesus sem a necessidade dos símbolos típicos. Quando pregou o eloquente sermão do Pentecostes, a mensagem e o apelo para a conversão centralizaram-se em Cristo: “Respondeu-lhes Pedro: arrependei-vos, e cada um vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2:38, Almeida Revista e Atualizada). Nenhuma referência é feita pelo apóstolo a ritos e símbolos.
Perante o auditório formado na casa de Cornélio, o centurião romano, Pedro é categórico em dizer que os judeus circuncisos e os gentios incircuncisos tornam-se irmãos em Cristo pela fé. “A quem se dirigiu, dizendo: Vós bem sabeis que é proibido a um judeu ajuntar-se ou mesmo aproximar-se a alguém de outra raça; mas Deus me demonstrou que a nenhum homem considerasse comum ou imundo” (At 10:28, Almeida Revista e Atualizada).
PENSE “Declarei a Pedro, diante de todos: Você é judeu, mas vive como gentio e não como judeu. Portanto, como pode obrigar gentios a viverem com judeus?” (Gl 2:14, Nova Versão Internacional).
DESAFIO Quando foi preso e convocado para depor perante o Sinédrio, Pedro, com convincente poder declarou: “Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4:11 e 12, Almeida Revista e Atualizada).
Quinta, 06/07/17
A PREOCUPAÇÃO DE PAULO
“Quando, porém, vi que não procediam corretamente segundo a verdade do evangelho, disse a Cefas, na presença de todos: Se, sendo tu judeu, vives como gentio e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?” (Gl 2:14, Almeida Revista e Atualizada).
Qual é a verdade do evangelho, da qual Pedro e outros líderes se afastaram, não procedendo corretamente? Seria o abandono da fé em Jesus como o único Salvador, para defender a salvação pela obediência à lei moral? O contexto não oferece margem para esta compreensão e interpretação. O contexto está relacionado com: comer com os gentios e a circuncisão. (v. 12).
A verdade do evangelho sobre a qual Paulo argumenta, é a fé na salvação pela graça manifesta em Jesus, independente da circuncisão, da lei cerimonial e da tradição. Estas constituíam o motivo da dissimulação de Pedro e dos demais.
Esta atitude de hipocrisia e temor levou Paulo a repreender pública e severamente seu colega de ministério. No argumento a clareza é palpável: Pedro, judeu por nascimento, abandonara a intermediação dos símbolos cerimoniais e as tradições de elaboração humana, e aceitara, vivia e pregava a experiência cristã da fé, compreendendo-a, portanto, perfeitamente. Diante de conterrâneos cerimonialistas, porém, temia professar a sua verdadeira fé. O verso sugere que no seu disfarce chegou a ensinar aos gentios certos ritos cerimoniais e práticas da Tradição: “Obrigas os gentios […]”. O verso 18 reforça a hipótese.
“Porque, se torno a edificar aquilo que destruí, a mim mesmo me constituo transgressor” (Gl 2:18, Almeida Revista e Atualizada).
Paulo está repreendendo Pedro por sua conduta contraditória em relação à lei cerimonial. Pedro em sua fé, compreensão e ensino, trocara as cerimônias do santuário, pela fé em Jesus, como o único justiçador e o fim do ritualismo. Mas, lá estava Pedro ensinando o que já havia destruído. Se Pedro pregava o ritualismo, se insistia na prática de suas cerimônias e leis, se apelava às tradições, sem nenhum valor espiritual, devia ele, forçosamente, também observá-las e praticá-las, para não condenar a si mesmo como transgressor pelos próprios ensinos.
Ora, Pedro cria em Cristo como seu único justificador, como, pois, estava insistindo em ritos completamente destituídos de valor e poder em face da realidade de Cristo? Esta atitude foi tremendamente chocante para Paulo, e não a tolerou.
PENSE “Esta revelação de fraqueza da parte daqueles que haviam sido respeitados e amados como dirigentes, produziu dolorosa impressão na mente dos crentes gentios. A igreja foi ameaçada de divisão. Mas Paulo, que viu a subversiva influência do erro praticado para com a igreja pela duplicidade de atitude da parte de Pedro, reprovou-o abertamente por dissimular assim seus verdadeiros sentimentos” (Atos dos Apóstolos, p. 198).
DESAFIO “Se isso é assim, imaginem então quanto maior ainda é o poder do sangue de Cristo! Por meio do Espírito eterno ele se ofereceu a si mesmo como sacrifício perfeito a Deus. E o seu sangue nos purifica por dentro, tirando as nossas culpas; assim podemos servir ao Deus vivo, pois já não praticamos cerimônias que não adiantam nada” (Hb 9:14, A Bíblia na Linguagem de Hoje).
Sexta, 07/07/17
ESTUDO ADICIONAL
Quando Adão caiu em pecado, Deus revelou o “evangelho eterno” (Ap 14:6), de justiça substituta, amor e graça para salvar, no primeiro cordeiro morto, o evangelho em figuras.
Para os Gálatas, Paulo fala do evangelho em figuras: “Quem vos fascinou, a vós ante cujos olhos foi desenhada a imagem de Jesus Cristo crucificado” (Gl 3:1, Bíblia de Jerusalém). Todo o ritualismo era uma figura, uma tela, um grande quadro apresentando Jesus crucificado, a graça de Deus em favor do pecador. Para os gálatas, Paulo já apresentara este magnífico quadro, explicando que Jesus é a sua realidade, o evangelho, nele prefigurado, e pergunta em tom estupefato: o que aconteceu com vocês que já viram o retrato de Jesus desenhado nos símbolos e O aceitaram como o único Salvador? Como e por que querem voltar para rituais sem valor?
Para que Adão pudesse apanhar a grandeza e a certeza da promessa da graça eterna de perdão e justificação, o primeiro cordeiro inocente, que nada tinha a haver com o pecado de Adão, foi sacrificado como substituto em lugar do verdadeiro culpado. Portanto, o evangelho da graça sempre esteve presente no ritualismo, através dos símbolos.
Agora, como Jesus já foi crucificado como o real dom da graça, não mais necessita o crente dos símbolos e dos ritos. A não compreensão desta verdade causou espanto a Paulo em relação aos gálatas: “Oh, insensatos, como aceitais símbolos e ritos quando a realidade já está presente?”
Se o sistema ritual não houvesse existido, a vinda de Jesus como sacrifício expiatório do pecado, nunca seria compreendido. Se Deus definiu o plano da salvação através de símbolos e tipos, centralizado no sacrifício substituto, para os nossos antepassados, até a vinda do “Descendente”, por que questioná-lO?
Para muitos, provavelmente, a não existência do sistema ritual típico, seria uma boa nova, pois, não teríamos o Deus do Velho Testamento com Seu sistema legalista. Esquecem que sem o Velho Testamento “legalista”, entre aspas, não teríamos o Novo Testamento das Boas Novas do evangelho da graça de Cristo. Em verdade, não teríamos nada. Porque o Velho Testamento “legalista”, é o Novo Testamento das mensagens das Boas Novas do evangelho da graça de Cristo, em figuras.
A unicidade e a unidade do evangelho, são eternas. Os métodos de apresentá-lo, podem variar.
PENSE “A lei e o evangelho não podem ser separados. Em Cristo, ‘a misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram’. (Sl 85:10). O evangelho não ignora as obrigações devidas a Deus por todo homem e mulher. O evangelho é a lei desdobrada, nada mais, nada menos” (MM, 2013, p. 283).
DESAFIO “Anulamos então a Lei pela fé? De maneira nenhuma! Ao contrário, confirmamos a Lei” (Rm 3:31, Nova Versão Internacional).