Lição 04 – ESabatina – Justificação pela fé – 15 a 22 de junho de 2017

Lição 04 JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ

Pr. Albino Marks

“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e Se entregou a Si mesmo por mim” (Gl 2:20, ARC).
Sábado, 15/07/17
INTRODUÇÃO
No estudo da argumentação de Paulo sobre a justificação pela fé, não pode ser esquecido que a carta foi dirigida aos gálatas visando um problema específico: combater o judaísmo. É também fundamental compreender que o ensino judaizante se alicerçava na insistência de praticar a circuncisão e observar determinados ritos e simbolismos do santuário. “É necessário circuncidá-los e exigir deles que obedeçam à lei de Moisés” (At 15:5, Nova Versão Internacional).
Esta compreensão é um ponto fundamental para entender com clareza toda a argumentação de Paulo quando fala sobre justificação, graça, fé, liberdade em Cristo, escravidão do pecado, jugo de escravidão, obras da lei e todo o processo da salvação do pecador.
Assinale-se também a questão importante de que a repreensão franca de Paulo a Pedro está ligada ao rito da circuncisão e da tradição: “temendo os que eram da circuncisão” (Gl 2:12, Nova Versão Internacional).
Esse rito era de primeira importância no regime cerimonial. No entanto, Pedro compreendera e aceitara a salvação pela fé em Jesus sem a necessidade dos símbolos típicos. Para Pedro, a barreira de separação fora derribada, e não só partilhava com os gentios a comunhão espiritual, mas também da mesa do pão material.
Paulo, também fizera esta troca (Fp 3:4-9). Abandonou todas as práticas que lhe pareciam lucro, porque encontrou a verdadeira excelência espiritual: o conhecimento de Cristo Jesus, o Senhor. A justiça da lei cerimonial, todas as práticas rituais legais para obter a justificação das transgressões acusadas pela lei moral, foram trocadas pela justiça “que vem mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus e se baseia na fé” (Fp 3:9, Nova Versão Internacional).
Os israelitas e judeus, excluíram a Cristo, o Antítipo, do sistema de símbolos e cerimônias, estabelecido por Deus para ensinar a justiça substituta “que procede de Deus e se baseia na fé”, para obter a justiça pela prática dos símbolos e cerimônias destituídos de seu ensino tipificador. Transformaram a lei do ensino da justificação, no justificador. O plano da graça de Deus centralizado no Substituto – Cristo Jesus – foi mutilado e feito o plano legalista, centralizado na lei dos símbolos e cerimônias que se apoia nas obras.
O mesmo problema aconteceu com a serpente de bronze, erguida por Moisés no deserto, para salvar a vida dos israelitas da picada peçonhenta das serpentes abrasadoras, se com fé olhassem para o símbolo, tipificando Àquele que esmagaria a cabeça da serpente, o diabo, Cristo Jesus.
PENSE “O incircunciso, que não for circuncidado na carne do prepúcio, essa vida será eliminada do seu povo; quebrou a minha aliança” (Gn 17:14, Almeida Revista e Atualizada).
DESAFIO “Sua religião se centralizara nas cerimônias do sistema sacrifical. Haviam tornado todo-importante as formas exteriores, ao perderem o espírito da verdadeira adoração. […] O Senhor atuara para levar o povo ao cativeiro e suspender os serviços do templo, a fim de que as cerimônias exteriores não se tornassem a totalidade de sua religião. […] A glória exterior foi removida, para que se revelasse a espiritual […]” (MM, 2002, p. 335).
Domingo, 16/7/17
A QUESTÃO DA JUSTIFICAÇÃO
Em contraposição ao já consumado serviço de símbolos e cerimônias, transformado em sistema legalista sem nenhum poder para justificar, Paulo apresenta o único justificador que estava retratado em todo o cerimonialismo, mas que deixou de ser reconhecido como tal e foi rejeitado quando oferecido como o real e verdadeiro valor de resgate e oferta de perdão, justificação e reconciliação: “Por meio dEle, todo aquele que crê é justificado de todas as coisas das quais não podiam ser justificados pela Lei de Moisés. […] Pois é impossível que o sangue de touros e bodes tire pecados. […] Repetidamente oferece os mesmos sacrifícios, que nunca podem remover os pecados. […] Porque por meio de um único sacrifício, Ele aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados” (At 13:39 e Hb 10:4, 11 e 14, Nova Versão Internacional).
A justificação implica em um ato de um ser pensante, consciente, inteligente e com poder de decisão. Para o pecador ser justificado, ele necessita passar pelo processo da justificação para ser declarado justo. Então, quem justifica o pecador? Paulo responde em Romanos 3:24: “Sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Almeida Revista e Atualizada). Logo, o pecador é justificado por um ato de graça da parte de Deus mediante Cristo Jesus nosso Senhor, a Quem o profeta Jeremias assim identifica: “Será este o seu nome, com que será chamado: o Senhor, Justiça Nossa” (Jr 23:6, Almeida Revista e Atualizada).
É preciso, todavia, compreender que o ato de justificação não significa absolvição e anulação. O pecador não é absolvido da lei, ele é resgatado da condenação da lei por causa do pecado, a transgressão da lei.
Deus justifica o pecador porque a sentença da lei moral que acusou o pecado do homem foi executada no próprio Filho de Deus – Cristo, Senhor, Justiça Nossa. A morte substituta de Cristo não representa absolvição e anulação, mas o pagamento do resgate, a justificação, porque a vigência da lei moral é confirmada pela morte do Substituto. Se houvesse absolvição e anulação, Jesus não necessitaria morrer, bastaria anular a lei.
Pela manifestação da justiça de Deus, executada em Jesus, na Sua morte substituta, “no tempo presente”, Deus é justo em Seu ato justificador a favor “daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3:26, Almeida Revista e Atualizada).
PENSE “Deus O ofereceu com sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a Sua justiça” (Rm 3:25, Nova Versão Internacional)
DESAFIO “Eu também não a condeno. Agora vá e abandone a sua vida de pecado” (Jo 8:10 e 11, Nova Versão Internacional).
Segunda, 17/07/17
OBRAS DA LEI
O Novo Testamento, escrito em grego, traz a palavra “nómos” = lei, traduzida do hebraico “torah”, que engloba toda a legislação de Israel contida no Pentateuco, e todas as orientações e instruções da Escritura do Velho Testamento. Portanto, pela palavra “nómos”, no grego, os escritores do Novo Testamento podem designar todo o Velho Testamento, o Pentateuco, a lei dos Dez Mandamentos, a lei cerimonial, a lei sacerdotal, as leis de saúde, as leis civis […]. Por esta razão, por desconhecer ou desconsiderar esta maneira de usar a palavra “nómos”, lei, dos escritores do Novo Testamento, muitas vezes são feitas aplicações equivocadas.
Quando os escritores do Novo Testamento e, especificamente Paulo, usam a palavra “nómos”, lei, como instrumento de ensino, instruções, orientações, conduzem o pensamento do leitor para o Pentateuco, os cinco livros de Moisés e com menor frequência referem à toda a Escritura do Velho Testamento. Quando falam da lei, “nómos”, como instrumento que determina a conduta, ou evidencia atos pecaminosos praticados contra Deus ou o próximo, referem à lei moral. Quando falam da lei como instrumento que era usado para solucionar o problema do pecado, por causa da transgressão da lei moral, oferecendo graça, perdão, justificação e reconciliação, mediante um substituto, nos serviços do santuário, envolvem a lei cerimonial. Quanto às outras leis: regulamentação dos Dez Mandamentos, sacerdotais, saúde, civis, o contexto evidencia de que lei estão falando.
O que Paulo está dizendo com “obras da lei? Qual o contexto desta declaração de Paulo? A dissimulação de Pedro, “temendo os que eram da circuncisão” (Gl 2:12, NVI). A circuncisão era um rito da lei das cerimônias.
Para o israelita e o judeu, a lei moral orientava a conduta e acusava as transgressões (Lv 4, com destaque para versos 2, 13, 22 e 27). Para obter o perdão e a justificação, recorriam aos sacrifícios da lei cerimonial (Lv 4, com destaque para versos 3-12, 20, 26, 31 e 35). O animal substituto para sofrer a condenação da transgressão da lei moral, podia ser um novilho, um bode, uma cabra ou uma ovelha, que tipificavam o Redentor prometido.
Com a morte de Jesus, o “Cordeiro de Deus”, Substituto do homem pecador, todo o ritualismo morreu. Pedro compreendeu esta mudança e a pregava com convicção e poder. Em Antioquia dissimulou a sua fé, apoiando as obras rituais. Este é o verdadeiro legalismo que Paulo condenou com toda a veemência. “Pois por obras da lei ninguém será justificado”.
PENSE “Por meio dEle, todo aquele que crê é justificado de todas as coisas das quais não podiam ser justificados pela Lei de Moisés” (At 13:39, Nova Versão Internacional).
DESAFIO “Pois é impossível que o sangue de touros e bodes tire pecados. […] Repetidamente oferece os mesmos sacrifícios, que nunca podem remover os pecados. […] Porque por meio de um único sacrifício, Ele aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados” (Hb 10:4, 11 e 14, Nova Versão Internacional).
Terça, 18/07/17
A BASE DA NOSSA JUSTIFICAÇÃO
Por que, nós pecadores necessitamos ser justificados? Porque pela transgressão da lei moral, somos condenados à morte. Não temos nenhuma esperança de escape da sentença de condenação que pesa sobre nós.
O amor de Deus proveu um meio de escape fundamentado na graça. Deu o Seu Filho como Substituto para sofrer a sentença de condenação à morte, e assim oferecer graça, perdão, justificação e reconciliação. A única coisa que Deus pede a nós pecadores, é aceitar, pela fé, a Sua oferta de graça. Nada mais podemos fazer ou trazer para obter a dádiva de Deus.
Ele, o Filho de Deus, foi justo e fiel no cumprimento de toda a vontade Deus, e “Deus tornou pecado por nós Aquele que não tinha pecado, para que nEle nos tornássemos justiça de Deus” (2Co 5:21, Nova Versão Internacional).
Ele é o verdadeiro Cordeiro designado por Deus para ser oferecido como único Substituto, pagando o resgate e cancelando a culpa do homem pecador. Ele é o Único e verdadeiro sumo-sacerdote feito por Deus, segundo a ordem de Melquisedeque, como o único que pode ministrar a justificação mediante o Seu sacrifício em favor do culpado transgressor da lei moral. Ele é o único que, morrendo a morte dos culpados, deu cumprimento à justiça divina da lei moral, que determinava a morte do transgressor. Ele é o único que viveu a justiça da lei moral, morreu, cumprindo a justiça e oferece a justiça, por graça, que está tipificada na lei cerimonial, para justificar todos os culpados e condenados à morte, pela lei moral, mas que pela fé aceitam a Sua justiça, que tem o poder de justificar.
Em Mateus 5:17, a palavra grega “plenrosai”, traduzida por cumprir, permite a tradução: estabelecer totalmente, ou definitivamente. Foi para isso que Jesus veio, para realizar, cumprir, estabelecendo de maneira completa e definitiva tudo o que era ensinado tipicamente pelos símbolos e cerimônias do santuário, e fundamentado em tudo o que os profetas disseram a respeito da Sua missão para ratificar o ato da salvação, oferecendo a justificação como uma dádiva de graça, para ser aceita pela fé, sem apresentar qualquer mérito. Porque “a Lei traz apenas uma sombra dos benefícios que hão de vir, e não a sua realidade. […] Pelo cumprimento dessa vontade fomos santificados, por meio do sacrifício do corpo de Jesus Cristo, oferecido uma vez por todas” (Hb10:1, 9 e 10, NVI).
PENSE “Mas agora se manifestou uma justiça que provém de Deus, independente da Lei, da qual testemunham a Lei e os Profetas, justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que creem. Não há distinção“ (Rm 3:21 e 22, Nova Versão Internacional).
DESAFIO “E ser encontrado nEle, não tendo a minha própria justiça que procede da Lei, mas a que vem mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus e se baseia na fé” (Fp 3:9, Nova Versão Internacional).
Quarta, 19/07/17
A OBEDIÊNCIA DA FÉ
A provisão de Deus para justificar o pecador é a morte Substituta de Jesus. A resposta do pecador é a fé na dádiva de Deus, revelada pela obediência à vontade de Deus expressa em Sua lei e por “toda a palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4:4, Nova Versão Internacional).
A obediência não é uma manifestação de: “estou obedecendo para receber a recompensa”, mas movido pelo amor por já ter recebido a maior dádiva imerecida: perdão e justificação. “Se vocês Me amam, obedecerão aos Meus mandamentos” (Jo 14:15, Nova Versão Internacional).
Deus libertou os israelitas do Egito, da terra da escravidão, porque eram melhores do que os egípcios? Não! Nunca! Os tirou de lá por causa da promessa que havia feito para Abraão. Tirou-os por graça e amor, justificando-os sem que tivessem mérito. A poderosa declaração de Deus para Israel é: Eu Sou o Deus da graça. E então os colocou perante o caminho que deviam seguir: a Sua lei, o caminho da justiça e da graça, pela obediência da fé.
A obediência da fé, “atua pelo amor”, (Gl 5:6). Esta obediência revela-se na submissão à liderança do Espírito Santo, para, tal como os israelitas, reaprender a viver o relacionamento de amor e confiança com o seu amoroso Salvador e Senhor, em harmonia com o Seu padrão de amor, graça e justiça – a lei moral e todas as orientações de Sua Palavra. Esta fé na graça e a obediência à lei e à Palavra, é o ouro provado no fogo que coloca o pecador justificado e andando no caminho da santificação, em condições para receber o dom da vida eterna.
Aceitar a Jesus como Salvador é a aceitação da justificação pela fé; submeter-se a Jesus como Senhor, é a obediência da fé por amor, aceitando a Sua lei moral e a Sua Palavra como norma de conduta para viver sob o processo transformador da santificação. Tudo, do princípio ao fim, é pela graça e pela fé.
Jesus nos justifica por Sua morte em nosso favor, eliminando a nossa culpa do pecado. Nos santifica por Sua vida e caráter, expressos em Sua lei e Sua Palavra, salvando-nos do poder do pecado. Somos justificados e salvos, pela fé na graça. Somos santificados e vivemos pela fé na obediência da lei e da Palavra, o caminho da graça. Seremos glorificados por Jesus, na Sua vinda, transformados num abrir e fechar de olhos, porque aceitamos a Sua dádiva da graça e o seu caminho da graça, e então seremos libertos da presença do pecado, a recompensa da graça.
PENSE “Por meio dEle e por causa do Seu nome, recebemos graça e apostolado para chamar dentre todas as nações um povo para a obediência que vem pela fé” (Rm 1:5, Nova Versão Internacional).
DESAFIO “Quinta, 20/07/17
A FÉ PROMOVE O PECADO?
(Leia em Pense). Para o israelita, como para todo o ser humano pecador, desde Adão, o pecado sempre foi e é acusado pela lei moral. A sentença de condenação da lei moral, a graça, o perdão e a justificação, antes da cruz, para os patriarcas, desde Adão, eram revelados no sacrifício substituto típico do cordeiro. Para o israelita, desde o monte Sinai, eram revelados no sacrifício substituto típico, que nem sempre era o cordeiro, da lei cerimonial.
Com a morte sacrifício de Jesus, a sentença de condenação da lei moral foi executada nEle, o verdadeiro Substituto, e a provisão de graça, perdão e justificação, tipificados na lei cerimonial, é oferecida por Ele.
Mas, seguindo o raciocínio de Paulo, se em Cristo não há justificação, porque crendo nEle ainda continuamos pecadores, necessitando do substituto típico das cerimônias para obter a justificação, dar-se-á o caso de a morte de Cristo ter sido tremenda farsa? Paulo não o admite: “Certo que não”.
(Leia em Desafio). Mediante que lei, ele, Paulo, morre para a lei? Ora, o cerimonialismo, em todos os seus ritos apontava para Cristo. “As ofertas sacrificais foram ordenadas por Deus a fim de serem para o homem uma perpétua lembrança de seu pecado, e um reconhecimento de arrependimento do mesmo, bem como seriam uma confissão de sua fé no Redentor prometido” (Patriarcas e Profetas, p. 64).
Atentemos com atenção para o argumento: a lei cerimonial foi ordenada por Deus, para lembrar o transgressor da lei moral, de seu pecado e da necessidade de arrependimento e confissão do pecado, pela fé no Redentor prometido. Portanto, o problema da transgressão da lei moral, era solucionado, tipicamente, com a lei cerimonial, pela fé no Redentor prometido, Jesus, que fez cessar a vigência da lei cerimonial no momento da Sua morte, como sacrifício completo e perfeito, de “uma vez por todas no fim dos tempos, para aniquilar o pecado mediante o sacrifício de si mesmo” (Hb 9:26, Nova Versão Internacional).
Paulo é enfático: “Estou crucificado com Cristo”. Porque na cruz aconteceu uma troca fundamental na execução da sentença de morte requerida pela lei moral e no oferecimento de graça manifestada pelo sacrifício substituto da lei cerimonial. O cordeiro substituto cede o lugar para o Cordeiro de Deus. Pela fé, a lei moral e sua sentença de condenação, é confirmada, a justificação pelo Substituto, é definitivamente estabelecida, e o pecado é condenado e tirado, não promovido.
PENSE “Mas se, procurando ser justificados em Cristo, fomos nós mesmos também achados pecadores, dar-se-á o caso de ser Cristo ministro do pecado? Certo que não”! (Gl 2:17, Almeida Revista e Atualizada).
DESAFIO “Por que eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2:19 e 20, Almeida Revista e Atualizada).
Sexta, 21/07/17
ESTUDO ADICIONAL
O autor aos Hebreus, muito provavelmente Paulo, coloca a caducidade da lei cerimonial nestas palavras: “Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a Deus como vítima sem mancha, purificará nossa consciência das obras mortas para servir ao Deus vivo” (Hb 9:14, Tradução Ecumênica da Bíblia). Coloquemos ao lado a tradução da “Bíblia na Linguagem de Hoje”: “Se isso é assim, imaginem então quanto maior ainda é o poder do sangue de Cristo! Por meio do Espírito eterno ele se ofereceu a si mesmo como sacrifício perfeito a Deus. E o seu sangue nos purifica por dentro, tirando as nossas culpas; assim podemos servir ao Deus vivo, pois já não praticamos cerimônias que não adiantam nada”.
Que “obras mortas” são essas? A fé no Redentor através dos símbolos e cerimônias antes da cruz? Ou, a prática desses mesmos símbolos e cerimônias depois da cruz? Ou, a conduta em harmonia com a lei moral?
Se aceitarmos que “obras mortas”, se refere ao cerimonialismo típico antes da cruz, então a compreensão do caráter de Deus está totalmente fora de prumo. Teríamos um Deus que aplicou tremenda farsa em nossos antepassados espirituais. Durante milênios praticaram uma experiência espiritual de símbolos e tipos, que não simbolizavam e não tipificavam nada. E todo esse cerimonialismo vazio e sem sentido algum, “obras mortas”, foi passado com a maior seriedade de pai para filho, geração após geração. Teríamos um Deus que ensinou um paganismo teocrático, para de alguma forma ocupar o tempo e a mente dos adoradores. Essa ideia, é sem dúvida, ofensiva a um Deus amoroso e justo. As obras cerimoniais em si mesmas eram mortas, mas pela fé, tipificavam o Redentor vivo. Transmitiam e ensinavam lições vivas da graça para salvar. No entanto, depois da cruz, tornaram-se “obras mortas” de verdade, porque então sim, não tipificavam mais nada, porque o Antítipo já havia vindo e “se ofereceu a si mesmo como sacrifício perfeito a Deus […] tirando as nossas culpas; assim podemos servir ao Deus vivo, pois já não praticamos cerimônias que não adiantam nada”.
O argumento aos Hebreus traz o mesmo significado de Paulo aos gálatas: As cerimônias típicas praticadas depois da cruz, são obras mortas ou cerimônias que não adiantam nada. Não justificam a ninguém. Em verdade, todos foram e são justificados pela fé no único Justificador. A fé dos que viveram antes da cruz e necessitaram das cerimônias. A fé dos que vivem depois da cruz e não precisam das cerimônias. Todos são justificados pela fé dm Jesus.
PENSE “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus” (Ef 2:8, Nova Versão Internacional).
DESAFIO “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5:1, Nova Versão Internacional).