Lição 06 – ESabatina – Maldição sem causa – 209/10 a 05/11 de 2016

Lição 06 MALDIÇÃO SEM CAUSA?
Pr. Albino Marks
“Poderá algum mortal ser mais justo que Deus? Poderá algum home ser mais puro que o seu Criador? (Jó 4:17, NVI).
Sábado, 29/10/16
INTRODUÇÃO
A questão fundamental que necessita ser compreendida e assentada sobre o sofrimento de Jó e o diálogo que segue com os amigos é: esse diálogo é apenas uma discussão sobre conceitos teológicos de conduta e retribuição, “aquilo que você semeia, você colhe” (Jó 4:8), ou, é o desdobramento do desafio de Deus para Satanás: “Observaste a integridade do Meu servo Jó?”, e o desafio de Satanás: “Permite atormentá-lo e ele O amaldiçoará?”
O grande conflito espiritual entre Cristo e Satanás acontece em tomo de conceitos. Destacam-se a Soberania do Universo, que como Criador, pertence a Deus. A Soberania fundamenta-se na lei. Não há soberania sem lei. A Soberania e a lei estabelecem o conceito da autoridade. Em relação a Deus, único, criador e mantenedor do Universo, a autoridade estabelece o conceito da adoração. Não há adoração genuína sem o reconhecimento da autoridade. “Prestem culto ao Senhor com alegria. (…) reconheçam que o Senhor é o Nosso Deus. Ele nos fez e somos dele: somos seu povo” (Sl 100:2 e 3, Nova Versão Internacional).
Com a queda de Adão, o conflito sobre o reconhecimento da autoridade, que teve início no Céu, foi transferido para a Terra. Deus ordenou para o homem e o orientou: “No dia em que dela comer, certamente você morrerá” (Gn 2:17, Nova Versão Internacional). A desobediência trouxe as suas consequências. Desprezando a autoridade de Deus e reconhecendo a autoridade de Satanás, o pecado trouxe o sofrimento e a morte, que atingem todos os seres humanos.
O que Deus fez para solucionar este problema? O conflito envolvia Deus e Satanás; com a queda de Adão, o homem foi envolvido como dominado e escravo de Satanás. O inimigo estabeleceu o seu domínio e a sua autoridade neste mundo. Então, Deus declarou a guerra entre o homem e Satanás: “Porei inimizade entre ti e a mulher”.
No entanto, no caso de Jó, o seu sofrimento não resultou das consequências rotineiras do pecado, mas da pressão inclemente de Satanás para induzi-lo ao pecado e “amaldiçoar a Deus” (Jo 1:11 e 2:5). As perdas e o sofrimento de Jó estão no contexto do grande conflito entre Cristo e Satanás.
Portanto, a grande questão em disputa ao longo do sofrimento de Jó, acusado por seus “amigos“, é: Jó reconhecerá a autoridade de Deus, mantendo a sua integridade, ou, a autoridade de Satanás, amaldiçoando a Deus?
PENSE “Ainda outro elemento de amargura lhe foi acrescentado na taça. Seus amigos, não vendo naquela adversidade senão a retribuição do pecado, oprimiam-lhe com acusações de delitos o espirito ferido e sobrecarregado”
“Aparentemente abandonado do céu e da terra, não obstante conservando firme sua fé em Deus e a consciência de sua integridade, exclamava angustiado e perplexo: ‘A minha alma tem tédio de minha vida’” (Educação, ps. 155 e 156).
DESAFIO “Deus é que tem sabedoria e poder; a Ele pertencem o conselho e o entendimento” (Jó 12:13, Nova Versão Internacional).
Domingo, 30/10/16
AS GRANDES QUESTÕES
A compreensão e interpretação dos relatos sagrados com frequência admitem a interpretação presente e a escatológica. Qual o alcance do relato? Ele se limita apenas a circunstâncias próximas ou comunica luz que se projeta através do tempo iluminando acontecimentos que determinam desfechos distantes? Neste contexto, Jó admite a análise de situações próximas e também distantes?
No livro de Jó é colocado em evidência o sofrimento humano, porém, na experiência dramática de Jó, o seu sofrimento está no contexto do grande conflito entre Cristo e Satanás.
Estudiosos argumentam que Satanás, presente nos primeiros dois capítulos, desaparece de cena no restante do livro. No entanto, uma análise mais detida, demonstra que a experiência do sofrimento de Jó não se limita às consequências do pecado de Adão, mas se desenrola no contexto do grande conflito espiritual entre Cristo e Satanás, confrontando o desafio de Deus: “Observaste a integridade do Meu servo Jó?”, e o desafio de Satanás: “Permite atormentá-lo e ele O amaldiçoará”. Jó tornou-se o centro inusitado, fora da rotina, de proclamar a sua integridade e lealdade a Deus ou blasfemar em Sua face, sob o mais cruel sofrimento imposto por Satanás. (Jó 1:8-12 e 2:3 e 4).
Depois da primeira cena no Céu, “Satanás saiu da presença do Senhor” (Jó 1:12, Nova Versão Internacional), onde e como ele se manifestou? Primeiro, com os sabeus, em seguida, com o fogo, depois com os caldeus e por último com um grande vento, vindo do deserto. Quem estava oculto por trás dos atores como pessoas e dos elementos da natureza em revolta?
Depois da segunda cena no Céu, “saiu, pois, Satanás da presença do Senhor e afligiu Jó com feridas terríveis” (Jó 2:7, Nova Versão Internacional). Depois de alguns dias, um ator entra em cena, a mulher de Jó. O que ela disse, foi ela que falou? Quem por duas vezes desafiou a Deus, dizendo que Jó O amaldiçoaria? Foi a mulher de Jó? Jó respondeu para a mulher como se fosse ela falando, porque não imaginava nunca que Satanás falasse por meio dela.
Como Satanás não conseguiu vencer a Jó, transformando a sua esposa em aviltante, mas poderosa acusadora, ele se escondeu atrás de três amigos de Jó, e travou uma cruenta e dolorosa batalha contra o amigo de Deus. É impossível imaginar Satanás desafiar a Deus e abandonar o campo de batalha nos primeiros instantes do combate.
PENSE “Os arrogantes mancharam o meu nome com mentiras, mas eu obedeço aos teus preceitos de todo o coração” (Sl 119:69, Nova Versão Internacional).
DESAFIO “Para mim vale mais a lei que decretaste do que milhares de peças de prata e ouro” (Sl 119:72, Nova Versão Internacional).
Segunda, 31/10/16
JÁ PERECEU ALGUM INOCENTE?
Certa oportunidade Jesus estava dialogando com os líderes espirituais de Seus dias, e fez-lhes esta declaração: “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. (…) Quando ele profere a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8:44, Almeida Revista e Atualizada).
Para Jesus, ser dominado pelo diabo não significa possessão visível e real, mas aceitar e defender as ideias do diabo.
Acompanhando com atenção a argumentação dos amigos e a defesa de Jó, compreende-se que os “amigos” acusavam Jó de infidelidade para com a vontade de Deus e de vida pecaminosa e que está sofrendo as consequências de seus pecados. Elifaz argumentou: “Reflita agora: Qual foi o inocente que chegou a perecer? Onde os íntegros sofreram destruição? Pelo que tenho observado, quem cultiva o mal e semeia a maldade, isso também colherá” (Jó 4:7 e 8, Nova Versão Internacional).
Esta acusação feita em relação a Jó, foi refutada por Deus perante o acusador: “Reparou em meu servo Jó? Não há ninguém na terra como ele, irrepreensível, íntegro, homem que teme a Deus e evita o mal” (Jó 1:8, Nova Versão Internacional).
Quem estava dizendo a verdade a respeito de Jó? Deus ou Elifaz? A pergunta intrigante: quem estava falando através de Elifaz?
O dilema de Jó estava no fato de não compreender a razão do seu sofrimento, porque sempre teve uma vida de companheirismo com Deus: “eu, que invocava a Deus, e ele me respondia” (Jó 12:4, Almeida Revista e Atualizada. Mas agora, no sofrimento, Deus parecia ausente.
O dilema dos amigos de Jó estava no mesmo fato da não compreensão do pano de fundo do seu sofrimento, o conflito cósmico entre Cristo e Satanás, e assim, defendendo a teologia equivocada da retribuição, acusavam a Jó de vida pecaminosa e hipócrita. Apelavam para que ele reconhecesse e confessasse os seus pecados.
Jó defendia a sua conduta de integridade e fidelidade para com Deus, refutando as acusações. Pela maneira de Jó se expressar, entende-se que estava sofrendo angustiante martírio mental. As acusações dos “amigos”, em verdade eram do “acusador dos nossos irmãos” (Ap 12:10).
Desvincular toda a trama de Satanás para induzir Jó ao pecado e à revolta contra Deus, amaldiçoando-O, por meio do sofrimento físico e dos ataques à consciência, é perder todo o conteúdo do livro no contexto do grande conflito entre Cristo e Satanás.
PENSE “Jesus virou-se e disse a Pedro: ‘Para trás de Mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para Mim, e não pensa nas coisas de Deus, mas nas dos homens’” (Mt 16:23, Nova Versão Internacional).
DESAFIO “Então Paulo, também, chamado Saulo, olhou firmemente para Elimas e disse: ‘Filho o Diabo e inimigo de tudo o que é justo! Você está cheio de toda espécie de engano e maldade. Quando é que vai parar de perverter os retos caminhos do Senhor?’” (At 13:9 e 10, Nova Versão Internacional).
Terça, 01/11/16
UM HOMEM E SEU CRIADOR
Elifaz continua a sua argumentação dizendo que teve uma visão. Avaliemos alguns detalhes: “Ouvi furtivamente uma revelação, meu ouvido apenas captou seu murmúrio” (Jó 4:12, A Bíblia de Jerusalém). Teve uma visão, mas apenas ”percebeu um sussurro dela” (ARA), em meio a sonhos perturbadores, um pesadelo, quando estava em profundo sono; um terror apoderou-se dele, fazendo estremecer os ossos; um espírito em forma de vulto apareceu, parecia um fantasma; ele ficou arrepiado, mas o vulto falou com voz suave: “Poderá um mortal ser mais justo que Deus? Poderá alguma homem ser mais puro que seu Criador?” (Jó 4:17, Nova Versão Internacional).
Comparando esta manifestação nebulosa para Elifaz com as visões reveladas para Daniel, observa-se que Daniel reconheceu o mensageiro como sendo o anjo Gabriel, que o instruiu, dando-lhe “percepção e entendimento”, e “na visão que teve, ele entendeu a mensagem” (Dn 9:21-10:1).
Quem declarou ainda no Céu? “Subirei mais alto que as mais altas nuvens; serei como o Altíssimo” (Is 14:14, Nova Versão Internacional).
O vulto ainda declarou: “Se Deus não confia em Seus servos, se vê erro em Seus anjos e os acusa” (Jó 4:18, Nova Versão Internacional). Quem fez a acusação perante Eva de que Deus não confiava neles, Suas criaturas e por isso os proibiu de comer do fruto do conhecimento do bem e do mal?
Quem ousou erguer-se contra Deus lançando dúvidas sobre o Seu amor e a Sua justiça no relacionamento com os Seus anjos?
Para induzir Jó a amaldiçoar a Deus, Satanás acusou-o de incorrer no erro de julgar-se mais justo e puro do que Deus e lançou dúvidas sobre o amor e a justiça de Deus para com ele em seu sofrimento. Estas eram as razões porque estava sendo esmagado como uma traça, despedaçado e destinado a perecer para sempre. Se Deus não é justo nem amoroso com Seus anjos, o que podem esperar dEle aqueles que são pó? (Jó 4:19-21).
O ataque do inimigo foi violento e cruel, no entanto, Jó reagiu com a razão e as emoções em perfeito controle e equilíbrio: “Se tão somente fosse atendido o meu pedido, se Deus me concedesse o meu desejo, se Deus se dispusesse a esmagar-me, a soltar a mão protetora e eliminar-me! Pois eu ainda teria o consolo, minha alegria em meio a dor implacável, de não ter negado as palavras do Santo” (Jó 6:8-10, Nova Versão Internacional).
Em seu primeiro discurso Jó desejou a morte sem negar a sua integridade e lealdade para com Deus. (Jó 3:21-23). Em resposta a Elifaz, relembra seu pedido e desejo.
PENSE “Quanto mais os que moram em casas de barro, cujos fundamentos se assentam sobre o pó! Serão esmagados mais depressa do que a traça; esmigalhados entre a manhã e à noite, perecem para sempre, pois ninguém os traz de volta. O esteio de sua tenda é arrancado, e morrem sem sabedoria” (Jó 4:19-21, A Bíblia de Jerusalém).
DESAFIO “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (Jo 11:25, Almeida Revista e Atualizada).
Quarta, 02/11/16
O LOUCO LANÇANDO RAÍZES
Elifaz continuando o seu discurso procura convencer Jó de vida pecaminosa. “Clame, se quiser, mas quem o ouvirá? Para qual dos seres celestes você se voltará?” (Jó 5:1, Nova Versão Internacional).
Depois de Satanás, escondido em Elifaz, acusar Jó de julgar-se mais justo e puro do que Deus e lançar dúvidas sobre o amor e a justiça de Deus, desafia a Jó com poderosos elementos de incerteza e insegurança: “Grita, para ver se alguém te responde?” (Jó 5:1, A Bíblia de Jerusalém).
A retórica segue com palavras duras: “Eu mesmo já vi um louco lançar raízes, mas de repente a sua casa foi amaldiçoada” (Jó 5:3). A essência dos argumentos é: por não reconhecer os seus pecados, Jó está destruindo a si mesmo (Jó 5:1-3). Seus filhos foram mortos violentamente, suas plantações destruídas, seus bens foram roubados (Jó 5:4 e 5), e tudo culmina com o terrível sofrimento. A razão que justifica toda a desgraça: o sofrimento não vem por acaso e as dificuldades não surgem do nada, mas é o próprio homem pecador que atrai sobre si toda essa miséria (Jó 5:6 e 7).
Então é feito um apelo dramático para Jó: “Mas se fosse comigo, eu apelaria para Deus; apresentaria a Ele a minha causa” (Jó 5:8, Nova Versão Internacional). E justifica o seu ato porque Deus faz coisas maravilhosas, enviando chuva, exaltando os humildes, mas transtornando os planos dos astutos, salvando os oprimidos, inspirando esperança nos pobres (Jó 5:9-16).
O discurso termina com uma predição profética sobre a restauração de Jó: Feliz o homem a quem Deus corrige, Ele sara as feridas, livra das desgraças, protege contra o mal e a fome, proporciona segurança, provê abundância, concede uma família numerosa e “você irá para a sepultura em pleno vigor, como um feixe recolhido no devido tempo” (Jó 5:26, Nova Versão Internacional).
Balaão também profetizou bênçãos para Israel quando a intenção era proferir maldições. Deus tem poder para transtornar qualquer ataque do mal em surpreendente bem.
Grande parte dos conceitos de Elifaz foram também expostos pelos escritores bíblicos que compõe a Palavra de Deus. O grande problema de Elifaz e seus amigos, e mesmo de Jó, estava em não compreender a razão fundamental do sofrimento de Jó: o desafio de Deus para Satanás no contexto do grande conflito espiritual entre o bem e o mal
PENSE “Mas Balaão respondeu a Balaque: ‘Eu não disse aos mensageiros que você me enviou: Mesmo que Balaque me desse o seu palácio cheio de prata e de ouro, eu não poderia fazer coisa alguma de minha própria vontade, boa ou má, que vá além da ordem do Senhor, e que devo dizer somente o que o Senhor disser’” (Nm 24:12 e 13, Nova Versão Internacional).
DESAFIO “Você saberá que a sua tenda é segura; contará os bens da sua morada e de nada achará falta” (Jó 5:24, Nova Versão Internacional).
Quinta, 03/11/16
JULGAMENTO PRECEPITADO
A teologia de Elifaz têm muitos fundamentos corretos, no entanto, podem ser mal aplicados. Satanás, pessoalmente se valeu da teologia para tentar a Jesus, citando o Salmo 91:11 e 12: “Ele dará ordens a Seus anjos a Seu respeito, (…) para que não tropece em pedra alguma” (Mt 4:6, Nova Versão Internacional).
Quando as verdades e os conceitos teológicos são colocados fora do contexto ou inoportunos, podem tornar-se ciladas. No estudo das mensagens de Jó, nunca pode ser olvidado o contexto do desafio de Deus para Satanás, no grande conflito entre o bem e o mal. Neste contexto, não é oportuno condenar os amigos de Jó pela exposição dos conceitos teológicos, porque já declaramos que nem eles nem Jó compreendiam as razões fundamentais do drama.
Se Jó houvesse sido orientado por Deus de que ele seria objeto do desafio, toda a controvérsia não faria sentido e se tornaria um grande circo montado por Deus para demonstrar de que Ele é amoroso e justo. O livre arbítrio, a liberdade de fazer escolhas entre o bem e o mal, deixaria de existir como a grande dádiva de Deus para as suas criaturas o servirem por amor, compreendendo que Ele é o Deus do amor e da justiça.
Jó passou pela prova incólume porque as suas convicções espirituais estavam alicerçadas no relacionamento e não em conceitos, todavia, os conceitos foram incorporados ao relacionamento. Jesus ensinou: “Se vocês Me amam, obedecerão aos Meus mandamentos”, porque, “nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Jo 14:15 e Mt 4:4, Nova Versão Internacional). E João ratifica o alicerce do relacionamento: “Mas se alguém obedece a Sua palavra, nele verdadeiramente o amor de Deus está aperfeiçoado” (1Jo 2:5, Nova Versão Internacional).
Esta foi a razão porque Jó permaneceu inabalável às mais cruéis investidas de Satanás e exclamou convicto e imbatível: “Embora Ele me mate, ainda assim esperarei nEle” (Jo 13:15, Nova Versão Internacional). O amor do relacionamento foi aperfeiçoado pela determinação da obediência incondicional.
O mais importante na experiência de Jó, não são os conceitos controvertidos, mas compreender que cada um de nós é um Jó desafiado por Deus no contexto deste grande conflito espiritual entre o bem e o mal. Resistimos nós às investidas de Satanás, demonstrando que Deus é amor e justiça, ou aceitamos o argumento de Satanás de que o Deus do amor não se importa com a nossa conduta, se é justa ou não?
PENSE “Conheço as suas obras, sei que você não é frio nem quente. Melhor seria que você fosse frio ou quente! Assim, porque você é morno, estou a ponto de vomitar-te da Minha boca” (Ap 3:15 e 16, Nova Versão Internacional).
DESAFIO “Seja fiel até a morte, e Eu lhe darei a coroa da vida” (Ap 2:10, Nova Versão Internacional).
Sexta, 04/11/16
ESTUDO ADICIONAL
Elifaz e os amigos de Jó não possuíam convicções claras sobre a justiça e o amor de Deus. Nem mesmo Jó compreendia estas manifestações do caráter de Deus. Em muitas situações as nossas convicções também são limitadas e distorcidas.
Por não compreender o caráter de Deus, Lúcifer, que se tornou Satanás, o acusador, acusou-O como injusto e despótico perante as Suas criaturas. Atacou a santidade, a unicidade do Seu caráter como motivo para despotismo e opressão. Qualificou a Sua lei como instrumento de injustiça e crueldade e passível de mudanças.
A Escritura proclama a eterna santidade e justiça de Deus. A Escritura proclama o eterno amor e a eterna graça de Deus. Todos os atributos de Deus são inseparáveis e formam o todo perfeito do Seu caráter. Deus traz em Seu caráter um conjunto de atributos que O identificam como a fonte de todo o bem. Não podemos afirmar que este ou aquele atributo do caráter de Deus é mais importante. Deus é uma unidade holística, uma totalidade perfeita e todos os atributos nEle se encontram dispostos de maneira perfeita. Todos os atributos do Seu caráter atuam de maneira unida e perfeita para a salvação do homem e na administração de todo o Universo. Como seres humanos, temos a tendência de exaltar este ou aquele atributo, porque nos parece mais atraente e mais agrada ao nosso modo de pensar e agir. Todavia, os atributos do caráter de Deus são inseparáveis. Se um dos atributos fosse melhor ou superior aos outros, Ele deixaria de ser Deus.
Esta era a dificuldade de Elifaz, seus amigos, de Jó e mesmo para muitos de nós. Para Elifaz e seus amigos, Jó estava recebendo a justa retribuição para os seus pecados. Porém, Elifaz também compreendia que Deus perdoa àquele que honestamente confessa os seus pecados: “Vou lhe dar um conselho; procure a Deus e confesse a Ele os seus pecados, pois ele faz maravilhas, (…) Ele mesmo vai curar a ferida que fez em você” (Jó 5:8 e 18, A Bíblia Viva).
A dificuldade de Jó estava no fato de que não podia entender a justiça de Deus pesando sobre um justo e íntegro: “Por que o Senhor coloca o homem à prova a cada novo dia, como um juiz severo?” (Jó 7:18, A Bíblia Viva).
No entanto, eles tinham maiores razões para a limitação de sua compreensão, porque não possuíam a abundância de luz dos nossos dias. Porém, o mais importante de todo o drama: Se estivéssemos no lugar de Jó, sem conhecer o desafio entre Deus e Satanás, como reagiríamos? Você sente que está envolvido no mesmo desafio?
PENSE “Justiça e Direito são a base do Teu trono, Amor e Verdade precedem a Tua face” (Sl 89:14: A Bíblia de Jerusalém).
DESAFIO “Amor e Verdade se encontram, Justiça e paz se abraçam; da terra germinará a Verdade, e a Justiça se inclinará do céu” (Sl 85:11 e 12, A Bíblia de Jerusalém).