Lição 10 ESabatina – As duas alianças – 26/08 a 02/09 de 2017

Lição10 AS DUAS ALIANÇAS

Pr. Albino Marks

“Mas a Jerusalém lá de cima é livre, a qual é nossa mãe” (Gl 4:26).
Sábado, 26/08/17
INTRODUÇÃO
Deus fez alianças com indivíduos personalizados, mas que se estendiam aos descendentes: Noé, a aliança do arco-íris com a promessa de não haver um segundo dilúvio; Abraão, dele sairia uma grande nação e por sua descendência passaria o Redentor; Davi, que sempre teria um sucessor no trono de Israel e por sua descendência passaria o Rei do Universo.
Duas alianças foram feitas com povos. A aliança do Sinai, com Israel, a nação; a aliança do Calvário, com o Israel espiritual, a Igreja.
No entanto, há uma primeira aliança feita com Adão, envolvendo a humanidade.
Nas alianças personalizadas, Deus faz a promessa, mas não pede nada. O amor e a graça de Deus é a certeza do cumprimento da promessa.
Nas alianças com Israel, nação, com Israel, Igreja, e com Adão, a humanidade, Deus revela a atuação da Sua graça e estabelece a condição da obediência fundamentada no amor.
Para entender o que é a graça de Deus, precisamos compreender o que Deus é. Para Moisés Deus revelou quem e o que Ele é: “Eu Sou o que Sou. […] Eu Sou o Senhor, o Deus da graça que te redimi da escravidão do Egito” (Êx 3:14 e 20:2).
Jesus falando de Si mesmo declarou: “Eu lhes afirmo que antes de Abraão nascer, Eu Sou!. […] Eu sou a luz do mundo. […] Eu sou o pão da vida. […] Eu sou o caminho, a verdade e a vida. […] Eu sou a ressurreição. […] Eu Sou o Alfa e o Ômega. […] Eu sou o Primeiro e o Último. […]Eu sou Aquele que vive” (Jo 8:58, 12, 6:48, 14:6, 11:25, Ap 1:8, 17 e 18, NVI).
Deus é o “Eu Sou”. Jesus é o “Eu Sou”. O Espírito Santo é o “Eu Sou”. Quando entendemos que a Trindade é o “Eu Sou”, Aquele que é de eternidade a eternidade, e que o Seu plano de vida para o homem se fundamenta no relacionamento de amor, harmonia e confiança, “graça é a vida eterna de Deus comunicada ao homem, movido pelo amor”. Portanto, tudo o que o homem recebe, são manifestações do caráter amoroso do Deus-Trino, que é graça plena e inesgotável.
Na aliança de Deus feita com Adão e Eva, antes do pecado, evidenciam-se os conceitos da graça e da obediência, fundamentados na lei e no julgamento ou juízo. “Coma livremente” – o conceito da graça. “Mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal” – os conceitos da lei e da obediência. “Se comer da árvore do bem e do mal, certamente você morrerá” – os conceitos da lei e do julgamento ou juízo. (NVI).
PENSE Os atributos do caráter de Deus são eternos como eterno é Deus. Portanto, são presentes através da eternidade, independentes da existência, ou não, do pecado.
DESAFIO “Segundo o poder de Deus, que nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não em virtude das nossas obras, mas por causa da sua própria determinação e graça. Esta graça nos foi dada em Cristo Jesus desde os tempos eternos, sendo agora revelada pela manifestação de nosso Salvador, Cristo Jesus” (2Tm 1:8-10, Nova Versão Internacional).
Domingo, 27/08/17
PRINCÍPIOS DA ALIANÇA
O homem que foi criado à imagem e semelhança de Deus recebeu vida que emana da fonte de graça – o Deus-Trino. O ser humano foi criado perfeito em si, mas dependente de Deus, a graça. Um fato importante que é colocado em evidência na comunicação da graça é a determinação de Deus fundamentando-a na aliança do relacionamento que tem como alicerce o amor. Amor de Deus para com o homem criado, revelado no princípio do livre arbítrio concedido para o homem, a liberdade de fazer escolhas e tomar decisões. Amor do homem para com Deus, reconhecendo-o como a fonte do amor e da graça e declarando a sua inteira dependência no ato da obediência. Portanto graça e obediência, uma dádiva e uma resposta, são inseparáveis desde a eternidade. Deus revela o Seu amor e a Sua graça e o homem com a liberdade da escolha decide obedecer por amor.
Com facilidade compreendemos a graça como o dom de Deus para salvar o homem do pecado. No entanto, no Éden, a graça, era o dom de Deus para preservar o homem do pecado. Desde que saiu das mãos do Criador, a vida do homem era um dom da graça de Deus, ou seja, a vida de Deus era comunicada ao homem como uma dádiva de Sua graça. O desenvolvimento do homem em todas as áreas estava ligado ao manancial da graça. Se o homem houvesse sempre seguido a orientação da graça, obedecendo por amor, a queda não teria vindo à existência.
Depois da queda, na aliança feita com Adão e ratificada com Israel, a graça extrapolou a compreensão humana: “Mas onde avultou o pecado, a graça superabundou” (Rm 5:20, Bíblia de Jerusalém). Jesus declarou porque veio ao mundo: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10:10, Bíblia de Jerusalém).
Todavia, nem com Adão, nem com Israel, nem com a nova aliança, ratificada com a “superabundância” da graça do sangue de Cristo, a obediência da lei foi anulada. No entanto, o relacionamento de amor recebeu a incomensurável demonstração do amor de Deus, manifestada na morte substituta de Jesus. E, agora, “o amor de Cristo nos constrange” (2Co 5:14). Não foi o nosso amor de pecadores carentes que aumentou o amor de Deus, mas o inquestionável amor de Deus despertou nossa resistência para amar. “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro” (1Jo 4:19, Nova Versão Internacional).
PENSE “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3:15, Almeida Revista e Atualizada).
DESAFIO “Eu digo: ‘A graça tem bases eternas; como os céus firmastes a vossa fidelidade’” (Sl 89:3, Pontifício Instituto Bíblico de Roma)
Segunda, 28/08/17
A ALIANÇA ABRAAMICA
Deus em Sua aliança fez as promessas a Abraão e ao seu descendente que é Cristo. Em sua promessa a Abraão, prometeu que a partir dele nasceria uma grande nação: “De ti farei uma grande nação” (Gn 12:2). Acrescentou ainda que “em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12:3, ARA). O plano de Deus com Abraão era estabelecer um povo que de tal modo vivesse os princípios do caráter divino, que todas as nações seriam atraídas a Ele. Para isto colocou-os no centro do mundo conhecido naquele tempo. “Eu a havia situado no meio das nações, com outras terras em torno dela” (Ez 5:5, Tradução Ecumênica da Bíblia). As boas novas da salvação deviam espalhar-se como as ondas do mar, atingindo os seus limites. No entanto, Israel em vez de irradiar a beleza da santidade de Deus, foi influenciado pelas práticas abomináveis dos outros povos paganizados.
Falhou Deus com o Seu plano de uma nação-igreja para alcançar todos os povos? Certamente não. Foi durante os reinados de Davi e Salomão que Israel viveu o período mais glorioso das mensagens dos símbolos. O plano da salvação como uma dádiva da graça de Deus, inundava o coração dos israelitas e o brilho dessa glória deslumbrava a todos os povos. A rainha de Sabá, quando compreendeu o significado da mensagem do “holocausto que oferecia na Casa do Senhor, ficou como fora de si” (1Rs 10:5, Almeida Revista e Atualizada).
O concerto feito com Abraão tinha por base a inabalável promessa de Deus: “Farei uma aliança entre Mim e ti e te multiplicarei extraordinariamente. […] Porque Eu o escolhi para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do Senhor e pratiquem a justiça e o juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito” (Gn 17:2 e 18:19, Almeida Revista e Atualizada). Da parte de Abraão, a aliança tinha a sua firme e decidida fé nas promessas divinas: “Ele creu no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça” (Gn 15:6, Almeida Revista e Atualizada). E também tinha por base a fidelidade de Abraão na observância da lei de Deus: “Porque Abraão obedeceu a Minha palavra e guardou os Meus mandados, os Meus preceitos, os Meus estatutos e as Minhas leis” Gn 26:5, Almeida Revista e Atualizada).
Esta é a base que gera filhos espirituais a Abraão. Assim aconteceu enquanto a nação-igreja viveu e proclamou o plano divino de salvar pecadores por amor e por graça. Assim acontece com a igreja-nações, enquanto permanece leal em viver e proclamar a mesma verdade.
PENSE “Pela fé Abraão, quando chamado, obedeceu e dirigiu-se a um lugar que mais tarde receberia como herança, embora não soubesse para onde estava indo” (Hb 11:8, Nova Versão Internacional).
DESAFIO “Pela fé peregrinou na terra prometida como se estivesse em terra estranha. [..;.] Pois ele esperava a cidade que tem alicerces, cujo arquiteto e edificador é Deus” (Hb 11:9 e 10, Nova Versão Internacional).
Terça, 29/08/17
ABRAÃO, SARA E HAGAR
Paulo declarou para os romanos: “Pois tudo o que foi escrito no passado, foi escrito para nos ensinar, de forma que, por meio da perseverança e do bom ânimo procedentes das Escrituras, mantenhamos a nossa esperança” (Rm 15:4, Nova Versão Internacional).
Abraão falhou na perseverança e no bom ânimo de sua fé, não mantendo firme a sua esperança na promessa de Deus. Quando fracassou na fé, pensou que possuía um plano melhor para dar cumprimento à promessa de Deus.
A mesma experiência pode ocorrer em nossa jornada cristã.
“Abraão aceitara sem pôr em dúvida a promessa de um filho, mas não esperou que Deus cumprisse a palavra no tempo e maneira que Ele o entendia. Foi permitida uma demora para provar sua fé no poder de Deus; mas ele não pôde suportar a prova” (Patriarcas e Profetas, p. 142).
“Sara sugeriu um plano pelo qual ela pensava que a promessa de Deus pudesse ser cumprida. Ela suplicou a Abraão para tomar Hagar como esposa. Nisto ambos mostraram falta de fé e de perfeita confiança no poder de Deus. Por ter ouvido a voz de Sara e tomado Hagar como esposa, Abraão falhou em resistir à prova de sua fé no ilimitado poder de Deus, e atraiu sobre si e sobre Sara muita infelicidade. O Senhor intentava provar a firme fé e confiança de Abraão nas promessas que lhe fizera” (História da Redenção, p. 77).
Deus não aceitou a escolha de Abraão em Ismael. Ismael não era a expressão da vontade de Deus, era o fruto e resultado da vontade e do plano humano independente de Deus. Não era o filho da promessa, mas o filho da dúvida. Não era o filho da fé, mas o filho da incredulidade.
A dura e angustiante experiência do longo caminho para o monte Moriá, nunca teria existido na vida de Abraão, se Ismael não houvesse nascido. Todavia, como todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus, foi legado às gerações posteriores esta página repleta de ensinamentos espirituais. Experiências com dramáticos e vibrantes lances de amor, fé, luta, confiança, sacrifício e provisão salvadora.
Esta experiência ensina que, sempre que o plano divino de conduzir o programa em favor do homem caído, para restaurá-lo, é colocado de lado para inventar expedientes humanos, os resultados são negativos.
PENSE “Tivesse ele suportado a primeira prova e pacientemente esperado a promessa ser cumprida em Sara, e não tivesse tomado Hagar como esposa, não teria sido sujeito à mais rigorosa prova jamais requerida de um homem“. Mas ”Abraão tinha agora suportado completa e nobremente a prova, e pela sua fidelidade redimido sua falta de perfeita confiança em Deus, a qual o levara a tomar Hagar por esposa” (História da Redenção, p. 80 e 83).
DESAFIO “Existe alguma coisa impossível para o Senhor? Na primavera voltarei a você, e Sara terá um filho” (Gn 18:14, Nova Versão Internacional).
Quarta, 30/08/17
HAGAR E O MONTE SINAI
“Dizei-me vós, os que quereis estar sob a lei: acaso, não ouvis a lei?” (Gl 4:21, Almeida Revista e Atualizada).
Fazendo a inquietante pergunta, Paulo está dizendo: vocês que querem submeter-se à lei, compreendem o que a lei ensina? Ouçam então: “está escrito”, diz Paulo, e passa a uma análise do que simbolizam Sara e Hagar, Isaque e Ismael.
No monte Sinai, quando fez a aliança com Israel, Deus proclamou: “E vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa” (Êx 19:6, Tradução Ecumênica da Bíblia).
Deus fala de Seu povo como sendo um reino de sacerdotes, o que equivale a dizer que cada israelita era concitado à consagração total aos propósitos redentores de Deus, participando do reino da graça. Todo pecador deveria receber de cada israelita o eloquente testemunho de que o Único que pode oferecer um plano de esperança e vida para pecadores condenados, é Deus, o Senhor. A presença de Cristo, o Substituto do pecador condenado, tipificado nos serviços do santuário, devia constituir-se a força motivadora para o cumprimento desta missão.
Na interessante alegoria, usando as duas esposas de Abraão, Paulo em sua argumentação, ilustra o que aconteceu com a aliança feita no Sinai. Hagar, a escrava, simboliza o regime do jugo ritual destituído de seus significados, porque Cristo já havia vindo e, portanto, colocou fim à aliança dos símbolos (Leia em Pense). As esperanças dos israelitas centralizavam-se na vinda do Redentor para a Jerusalém terrestre. O longo período de opressão estrangeira, e isso em consequência do afastamento de Deus e rebelião contra o Seu estilo de vida, fez com que aguardassem um libertador político.
Os adeptos desse regime, no tempo de Paulo, ainda se voltavam para Jerusalém como sua mãe espiritual, apegando-se aos ritos e cerimônias efetuadas no templo, e aguardando o Messias prometido para libertá-los do domínio romano.
Hagar, argumenta Paulo, tipifica a aliança firmada junto ao monte Sinai. Entretanto, agora, nos dias de Paulo, corresponde à Jerusalém, que rejeitou o Messias esperado, o Redentor anunciado durante séculos. Como rejeitou a Realidade e apegou-se decididamente aos símbolos e ritos, entrou em regime de escravidão, dominado pela prática legalista dos ritos vazios e inoperantes, pois a realidade de Cristo os tornou “obras mortas”.
PENSE “Estas coisas são alegóricas; porque estas mulheres são duas alianças; uma, na verdade, se refere ao monte Sinai, que gera para escravidão; esta é Agar. Ora, Agar é o monte Sinai, na Arábia, e corresponde à Jerusalém atual, que está em escravidão com seus filhos” (Gl 4:24 e 25).
DESAFIO “Dia após dia, todo sacerdote apresenta-se e exerce os seus deveres religiosos; repetidamente oferece os mesmos sacrifícios, que nunca podem remover pecados. […] Porque, por meio de um único sacrifício, Ele aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados” (Hb 10:11 e 14, Nova Versão Internacional).
Quinta, 31/08/17
ISMAEL E ISAQUE HOJE
Sara, a esposa legítima, simboliza a revelação da aliança da graça, manifestada a nossos primeiros pais logo após a queda: (Leia em Pense). A aliança com Adão foi ratificada na cruz com a morte expiatória de Cristo determinando a derrota de Satanás. Aqueles que aceitam a aliança da eterna graça de Deus, agora diretamente manifestada em Cristo, erguem o olhar da fé para a Jerusalém de cima, no céu, onde no santuário celestial Cristo vive e intercede por eles. (Leia em Desafio).
A alegoria é apresentada de maneira tão bem escolhida que mesmo as lutas entre os dois irmãos, que se acentuaram quando formaram duas nações, encontram um paralelo nas lutas de Paulo com os judaizantes, que defendiam a prática de ritos cerimoniais, especificamente a circuncisão, para obter a salvação (At 15:1 e 5). O paralelo também era significativo entre a igreja apostólica e o judaísmo obsoleto, lançando este, perseguições ferozes contra a igreja nascente, tornando Paulo contundente em seus argumentos de defesa: “Pois há muitos insubordinados, que não passam de faladores e enganadores, especialmente os do grupo da circuncisão. É necessário que eles sejam silenciados, pois estão arruinando famílias inteiras, ensinando coisas que não devem (Tt 1:10 e 11, Nova Versão Internacional).
O paralelo desta luta espiritual chega até os nossos dias, mas agora centralizada na graça sem responsabilidade de vida coerente com a vontade de Deus, envolvendo especialmente a santidade do sábado como instrumento no processo santificador daqueles que aceitam a salvação pela fé na graça justificadora da morte substituta de Jesus.
Por que, ao revelar o evangelho da graça para Abraão, Deus não acabou com a santidade da lei moral e do sábado, lá no monte Moriá? Era o grande momento para substituir o legalismo da lei moral pela graça! Por que deixou isto para mil e novecentos anos mais tarde, na morte de Jesus? É uma questão que merece ser analisada criteriosamente.
Quando entendemos que a relação espiritual é uma relação amorosa e não de compulsão, a observância e o cumprimento dos princípios de conduta estabelecidos são aceitos por amor. É a liberdade de escolher obedecer por amor, que gera e desenvolve companheirismo, amizade e comunhão.
“Como, porém, outrora, o que nasceu segundo a carne perseguia ao que nasceu segundo o Espírito, assim também agora” (Gl 4:29).
PENSE “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3:15, Almeida Revista e Atualizada).
DESAFIO “Por isso, também pode salvar totalmente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7:25, Almeida Revista e Atualizada).
Sexta, 01/09/17
ESTUDO ADICIONAL
Paulo concluiu: Nós somos filhos da promessa, e se a promessa encontrou seu cumprimento em Cristo, logo cessou o regime da aliança dos ritos e símbolos e vivemos sob a nova aliança, a liberdade da graça em Jesus. É categórico em afirmar que os dois sistemas não têm condições de conviver. Não é possível trazer alguns ritos e dias de festa para a nova aliança, porque a Realidade da aliança, inquestionavelmente faz desaparecer o esboço ou as sombras da aliança. (Leia em Pense) “Lança fora a escrava”, como dizendo: abandonai todas as obras dos ritos e símbolos porque não é possível permanecer com as figuras quando o longamente esperado Redentor já veio.
Paulo fecha a sua ilustração alegórica com um argumento de muita convicção e certeza: “E, assim, irmãos, somos filhos não da escrava, e sim da livre” (Gl 4:31). Somos filhos, não da aliança intermediada por símbolos e ritos, mas da aliança intermediada pelo Cristo real entronizado no coração.
Os judaizantes, por haverem perdido a visão da cruz redentora, agiam da seguinte maneira: Houve uma promessa e foi feito uma aliança, um contrato de casamento na base de uma fotografia do noivo: os ritos e cerimônias tipificando Cristo. A noiva, durante anos guardou a fotografia, mas não se demorou em analisar, discernir, compreender e assimilar os verdadeiros traços da pessoa e do caráter do noivo. Como o tão ansiado dia do casamento foi retardando, perdeu totalmente a visão da identidade do noivo. Quando chegou o grande dia do casamento, a noiva não reconheceu o bem amado, que na aliança, ou contrato, lhe havia feito grandes e preciosas promessas. Apegou-se decididamente à fotografia rota e desfigurada, rejeitando a beleza e encanto do noivo presente, e declarando não corresponder à fotografia que tinha em mãos. (Leia em Desafio)
Esperava um nobre e veio um bebê, filho de uma virgem desconhecida; esperava um poderoso lutador e veio um sofredor; esperava um valente guerreiro e veio um arauto do amor; esperava um libertador político e veio um mensageiro da paz; esperava um soberano e veio um servo; esperava a majestade de um rei e veio um condenado à morte de cruz. “Não tinha qualquer beleza ou majestade”, mas era o Redentor, o cumprimento da promessa da aliança, o Rei do Universo.
PENSE “Contudo, que diz a Escritura? Lança fora a escrava e a seu filho, porque de modo algum o filho da escrava será herdeiro com o filho da livre” (Gl 4:30, Almeida Revista e Atualizada).
DESAFIO Porque “não tinha nem aspecto, nem imponência tais que os notássemos nem aparência tal que o procurássemos. […] Ele veio para o que era Seu, e os Seus não o receberam” (Is 53:2 e Jo 1:11, Tradução Ecumênica da Bíblia).