Lição 10 – ESabatina – Filhos da promessa – 02/12 a 09/12 de 2017

Lição 10 FILHOS DA PROMESSA

Pr. Albino Marks

“Logo, tem Ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem Lhe apraz” (Rm 9:18).
Sábado, 02/12/17
INTRODUÇÃO
Deus exerce misericórdia com quem quer e Deus exerce absoluta intolerância com quem quer? Como harmonizar estes conceitos com a seguinte declaração do Senhor? “Diga-lhes: juro, pela minha vida, palavra do Soberano, o Senhor, que não tenho prazer na morte dos ímpios, antes tenho prazer em que eles se desviem dos seus caminhos e vivam” (Ez 33:11, Nova Versão Internacional).
Uma coisa é chamar homens para realizar o trabalho como mensageiros de Deus, outra coisa é apresentar o plano de salvação para todos os homens. Deus chamou Abraão para, a partir dele formar um povo Seu. Chamou Moisés para libertar o Seu povo da escravidão egípcia. Separou a tribo de Levi para atuar nos serviços do santuário. Ao longo dos séculos chamou homens e mulheres para o ministério profético. São escolhas da inteira competência de Deus.
Por meio do profeta Jeremias, Deus pronuncia o Seu direito de escolha: ” Eu vou lhes dar pastores verdadeiros, que pensam e sentem como Eu. Eles vão guiar todos vocês com sabedoria e inteligência” (Jr 3:15, Bíblia Viva).
O verdadeiro mensageiro de Deus não é uma escolha própria, mas é um chamado divino. Em algum momento, o homem sente o chamado para a tarefa do ministério para a causa de Deus. Escolhido e chamado por Deus, passa a ser controlado e instruído pelo Espírito Santo para o desempenho de sua tarefa como atalaia e guia do rebanho, desempenhando seu trabalho “com sabedoria e inteligência”, segundo o coração de Deus.
Todavia, a oportunidade de salvação é oferecida indistinta e gratuitamente a todos os homens e mulheres. Todos pecaram e caíram sob a escravidão do inimigo de Deus. Mas, Deus, que criou o homem para a Sua glória, (Is 43:7), tanto amou este homem que proveu Seu plano de justiça, de amor e graça, para resgatá-lo da escravidão do pecado. A dádiva é oferecida a todos, a decisão de aceitá-la é da escolha de cada um. “Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus” (Gl 3:28, Nova Versão Internacional).
PENSE “Deles é a adoção de filhos; deles é a glória divina, as alianças, a concessão da Lei, a adoração no templo e as promessas. Deles são os patriarcas, e a partir deles se traça a linhagem humana de Cristo, que é Deus acima de todos, bendito para sempre! Amém” (Rm 9:4, 5, Nova Versão Internacional).
DESAFIO “Então o Senhor disse a Abrão: ‘Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei’” (Gn 12:1, Nova Versão Internacional).
Domingo, 03/12/17
O FARDO DE PAULO
Deus em Sua aliança, fez as promessas a Abraão e ao seu descendente que é Cristo. Prometeu para Abraão, “De ti farei uma grande nação” (Gn 12:2). Acrescentou ainda: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12:3). O plano de Deus com Abraão era estabelecer um povo que de tal modo vivesse os princípios do caráter divino, que todas as nações seriam atraídas a Ele. Para isto colocou-os no centro do mundo conhecido naquele tempo. “Eu a havia situado no meio das nações, com outras terras em torno dela” (Ez 5:5, Tradução Ecumênica da Bíblia).
As boas novas da salvação deviam espalhar-se como as ondas do mar, atingindo os seus limites. No entanto, Israel em vez de irradiar a beleza da santidade de Deus, foi influenciado pelas práticas abomináveis dos outros povos.
Foi durante os reinados de Davi e Salomão que Israel viveu o período mais glorioso das mensagens dos símbolos. O plano da salvação como uma dádiva da graça de Deus, inundava o coração dos israelitas e o brilho dessa glória deslumbrava a todos os povos. A rainha de Sabá quando compreendeu o significado da mensagem do “holocausto que oferecia na casa do Senhor ficou como fora de si” (1Rs 10:5, Almeida Revista e Atualizada).
“Que Deus é tão grande como o nosso Deus?” (Sl 77:13, Almeida Revista e Corrigida). A comunicação da mensagem de um Deus que perdoa por amor, oferecendo graça, justificação e reconciliação na gloriosa promessa de um substituto inocente, em contraste com a busca do favor de deuses irados, por meio de obras penitentes e angustiantes, tocava profundamente o pensamento pagão.
PENSE “Noutras palavras, não são os filhos naturais que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa é que são considerados descendência de Abraão” (Rm 9:8, Nova Versão Internacional).
DESAFIO “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo” (Gl 3:16, Almeida Revista e Atualizada).
Segunda, 04/12/17
ELEITOS
Falhou Deus com o Seu plano de uma nação-igreja para alcançar todos os povos? Certamente não. Mas, lamentavelmente a sequência dos acontecimentos demonstra que a nação-igreja falhou nesta gloriosa tarefa. Os poderes das trevas atuaram com tal força sedutora sobre os depositários das boas novas, que envolvidos pelos sofismas do engano deixaram de cumprir a grande missão de proclamar o plano redentor de Deus.
O concerto feito com Abraão tinha por base a firme e decidida fé nas promessas divinas: “Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça” (Gn 15:6, Nova Versão Internacional).
Também foi firmado sobre a fidelidade na observância da lei de Deus: “Farei uma aliança entre Mim e ti, e te multiplicarei extraordinariamente. […] Porque Abraão obedeceu a Minha palavra, e guardou os Meus mandados, os Meus preceitos, os Meus estatutos e as Minhas leis” (Gn 17:2 e 26:5, Almeida Revista e Atualizada).
Esta é a base que gera filhos espirituais a Abraão. Assim aconteceu enquanto a nação-igreja viveu e proclamou o plano divino de salvar pecadores por amor e por graça. Assim acontece com a igreja-nações, enquanto permanece leal em viver e proclamar a mesma verdade.
Em relação a escolha de Jacó e a rejeição de Esaú, Paulo declara: “não por obras, mas por Aquele que chama” (Rm 9:12, Nova Versão Internacional). Para o cumprimento da missão de proclamar o convite do evangelho, é Deus quem chama.
Quando o instrumento chamado para cumprir a missão a ele confiada, falha, Deus tem todo o direito de rejeitar esse instrumento. É Deus injusto nesse modo de agir? Certamente não. Ele chama e capacita. Não havendo a resposta adequada, a missão é transferida para outro. Assim aconteceu com o dom profético na Igreja remanescente.
Em relação ao plano da salvação, a provisão foi feita para todos os que estão sob o domínio escravo do pecado. Em havendo a rejeição da oferta de Deus, o próprio convidado desqualifica-se a si mesmo para receber a dádiva.
PENSE “Todavia, antes que os gêmeos nascessem ou fizessem qualquer coisa boa ou má – a fim de que o propósito de Deus conforme a eleição permanecesse, não por obras, mas por aquele que chama – foi dito: ‘O mais velho servirá ao mais novo’” (Rm 9:11, 12, Nova Versão Internacional).
DESAFIO “Maldito o que faz com negligência o trabalho do Senhor!” (Jr 48:10, Nova Versão Internacional).
Terça, 05/12/17
MISTÉRIOS
“Teria eu algum prazer na morte do ímpio? Palavra do Soberano, o Senhor. Ao contrário, acaso não me agrada vê-los desviar-se dos seus caminhos e viver?” (Ez 18:23, Nova Versão Internacional).
Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança ligando-o a Si com laços de amor e conduzindo-o pela vereda da vida, com a alegria plena da Sua presença e o eterno prazer de Sua companhia (Sl 16:11).
Se Deus criou o homem para a felicidade e para a Sua glória e não tem prazer na morte de ninguém, entendamos, morte de condenação, como entender a argumentação de Paulo nos versos do tema de hoje? Paulo esclarece no verso 22: “E se Deus, querendo mostrar a sua ira e tornar conhecido o seu poder, suportou com grande paciência os vasos de sua ira, preparados para a destruição” (Nova Versão Internacional).
Deus enviou José para o Egito como seu mensageiro para influenciar Faraó e toda a nação no sentido de abandonar a confiança no falso sistema de adoração. Operou maravilhas em favor do Egito sob a liderança de José. Ainda que por algum tempo reconhecessem a grandeza do Deus Criador e Mantenedor, não se submeteram a Ele.
Depois da morte de José, viram em seus beneficiários, inimigos perigosos e os submeteram a mais cruel escravidão. O Faraó e seus súditos estavam agindo sob a liderança de Satanás. Que mais Deus poderia esperar? Quando a rejeição de Deus é um ato concreto e definido por aqueles que Ele convida ao arrependimento, Ele passa a “realizar sua obra, obra muito estranha, e cumprir sua tarefa, tarefa misteriosa” (Is 28:21, Nova Versão Internacional).
Por outro lado, Deus faz isto “para tornar conhecidas as riquezas de sua glória aos vasos de sua misericórdia, que preparou de antemão para glória” (Rm 9:23, Nova Versão Internacional).
Paulo termina seu argumento para dizer que Deus exerce a Sua Soberania para chamar mensageiros tanto dentre os judeus como dentre os gentios. A salvação não é privilégio de um povo, mas de todos os povos. Entre os povos Ele está em busca de mensageiros que glorifiquem o Seu nome cumprindo a missão confiada.
PENSE “Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2Pe 3:9, Almeida Revista e Atualizada).
DESAFIO “Ou seja, a nós, a quem também chamou, não apenas dentre os judeus, mas também dentre os gentios” (Rm 9:24, Nova Versão Internacional).
Quarta, 06/12/17
AMMI: “MEU POVO”
Não podemos esquecer que Paulo está escrevendo uma mensagem para os membros da igreja nascente, estabelecida por Jesus, começando com os Seus discípulos.
A visão espiritual do escolhido povo de Deus, estava completamente obscurecida e mergulharam em um formalismo religioso, despojado do poder de Deus. Julgando-se os únicos amados de Deus, não compreendiam que ao rejeitar a Cristo como o Messias prometido, perderam a sua posição de filhos favorecidos. Não compreendendo as grandes verdades ensinadas pelos serviços do santuário, o formalismo religioso vedara-lhes os olhos da fé. “Veio para o que era Seu, e os seus não O receberam” (Jo 1:11). Não houvera isto acontecido e a vinda do Messias teria sido recebida e aclamada na mais indescritível explosão de alegria.
Sob estas circunstâncias, aqueles que tiveram o privilégio da eleição de Deus, mas não foram fiéis ao legado que receberam, foram despojados de sua honrosa glória e cederam o seu lugar param outros eleitos.
Paulo, demonstrando a Soberania de Deus, declara com base na mensagem do profeta Oséias, de que Ele pode chamar filhos de onde queira fazê-lo. “Chamarei ‘Meu povo’ a quem não é Meu povo; e chamarei ‘Minha amada’ a quem não é minha amada” (Rm 9:25, Nova Versão Internacional).
João Batista fizera declaração semelhante: “Não pensem que vocês podem dizer a si mesmos: ‘Abraão é nosso pai’. Pois eu lhes digo que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão” (Mt 3:9, Nova Versão Internacional).
Paulo encerra a sua argumentação sobre a Soberania e eleição de Deus: “Qual a conclusão? Esta: pagãos que não procuravam a justiça a obtiveram, […] enquanto Israel, […] não acertou com a lei […] Eis que Eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, um rochedo que faz cair; mas quem crer nele não será confundido” (Rm 9:30-33, Tradução Ecumênica da Bíblia).
Aquele que se tornou a esperança da glória dos pagãos, tornou-se a pedra de tropeço dos israelitas.
PENSE “Como ele diz em Oséias: ‘Chamarei ‘meu povo’ a quem não é meu povo; e chamarei ‘minha amada’ a quem não é minha amada’” (Rm 9:25, Nova Versão Internacional).
DESAFIO “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mt 24:14, Nova Versão Internacional).
Quinta, 07/12/17
TROPEÇO
Fizeram os líderes dos israelitas, da lei das cerimônias o grande justificador e disto temos evidências claras e sobejas. Notemos este argumento em Atos 13:39: “[…] não pudestes ser justificados pela lei de Moisés”. Encontramos Paulo em Antioquia da Pisídia discutindo com os judeus e provando-lhes não haver justificação nas práticas rituais em si, sem exercer fé no Único justificador. Apresenta a Cristo como único e supremo justificador: “E, por meio dEle, todo o que crê é justificado […]” (At 13:39, Almeida Revista e Atualizada).
Aos Hebreus Paulo declara que as cerimônias típicas praticadas depois da cruz, são obras mortas ou cerimônias que não adiantam nada. Não justificam a ninguém. No entanto, o Justificador já assumiu o lugar do pecador e tornou-se o centro vivo em Quem se centraliza a fé. A fé dos que viveram antes da cruz e necessitaram das cerimônias. A fé dos que vivem depois da cruz e não precisam das cerimônias.
Em sua carta aos Romanos, Paulo coloca em confronto a busca da justificação pela prática de ritos que se tornaram vazios e a fé no Único e real justificador: “Qual a conclusão? Esta: pagãos que não procuravam a justiça a obtiveram – falo da justiça que vem da fé -, enquanto Israel, que procurava uma lei que pudesse alcançar-lhe a justiça, não acertou com a lei. Por quê? Porque esta justiça, eles não a esperavam da fé, mas pensavam obtê-la das obras. Esbarraram na pedra de tropeço, segundo o que está escrito: Eis que Eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, um rochedo que faz cair; mas quem crer nEle não será confundido” (Rm 9:30-33, Tradução Ecumênica da Bíblia).
Eis o grande problema espiritual de Israel: deturpou a compreensão dos ritos e símbolos, perdeu a fé na graça de Deus, provida por meio da morte substituta de Cristo Jesus, para a qual os símbolos apontavam, e buscou alcançar justiça pela prática de obras, aparentemente boas em si, mas que não possuíam nenhum poder para perdoar e justificar. Os pagãos que não possuíam os ritos e símbolos para orientar a sua experiência espiritual, quando receberam a Boa Nova da justiça pela fé em Cristo, nEle creram e não foram confundidos. Sabiam em Quem estavam depositando a sua fé. Aquele que se tornou a esperança da glória dos pagãos, tornou-se a pedra de tropeço dos israelitas.
PENSE “Pois não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (At 4:12, Nova Versão Internacional).
DESAFIO “Se isso é assim, imaginem então quanto maior ainda é o poder do sangue de Cristo! Por meio do Espírito eterno Ele se ofereceu a Si mesmo como sacrifício perfeito a Deus. E o Seu sangue nos purifica por dentro, tirando as nossas culpas; assim podemos servir ao Deus vivo, pois já não praticamos cerimônias que não adiantam nada” (Hb 9:14, Bíblia na Linguagem de Hoje).
Sexta, 08/12/17
ESTUDO ADICIONAL
Paulo ainda continua descrevendo a falta de compreensão dos seus compatriotas do plano da salvação: “Pois eu sou testemunha, eles têm zelo por Deus, mas é um zelo que não é iluminado pelo conhecimento, desconhecendo a justiça que vem de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, eles não se submeteram à justiça de Deus. Pois o fim da lei é Cristo, para que seja dada a justiça a todo homem que crê” (Rm 10:2-4, Tradução Ecumênica da Bíblia).
Em verdade praticavam os ritos com o maior fervor e zelo, mas faltava-lhes o correto conhecimento de todas as práticas. Degenerando o serviço religioso em formalidades vazias, perderam de vista o centro do plano da salvação e o centro de todas as cerimônias – Cristo. O fim da lei é Cristo, declara Paulo, ou seja, todo o sistema ritual conduzia a Cristo, o único que tem poder para justificar e justiça para comunicar “a todo homem que crê”.
A deturpação do plano da salvação pela graça de Deus mediante a fé em Cristo, por meio dos símbolos, conduziu os judeus à busca da justificação nas mais variadas práticas que pudessem ser contabilizadas como mérito: dando esmolas (Mt 6:2), fazendo orações públicas (v. 5), observando prolongados jejuns (v. 16), lavando as mãos frequentemente para demonstrar pureza, apenas exterior, e Jesus acusou esta prática como hipócrita (Mt 15:2), detalhando obrigações para o dia de sábado, praticando “todas as suas obras com o fim de serem vistos dos homens” (Mt 23:5). Muitas destas obras que praticavam com o objetivo para obter méritos diante de Deus, nem mesmo constavam da lei das cerimônias. Como declara Paulo, “procuravam uma lei para estabelecer a sua própria justiça”.
Neste argumento de Paulo, além de condenar a prática de símbolos e ritos da lei cerimonial como meio de obter justiça, pode divisar-se uma referência ao Talmude, que trazia as mais desconcertantes normas em relação à conduta para apresentar méritos e recomendar-se como justo e digno da aceitação divina.
PENSE “Não há diferença entre judeus e gentios, pois o mesmo Senhor é Senhor de todos e abençoa ricamente a todos os que o invocam, porque ‘todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rm 10:12, 13, Nova Versão Internacional).
DESAFIO “Eleitos segundo os desígnios de Deus Pai, pela santificação do Espírito Santo, para obedecer a Jesus Cristo e ter parte na aspersão de Seu sangue” (1Pe 1:2, Tradução Ecumênica da Bíblia). (Grifo nosso).