Lição 13 – ESabatina – O evangelho e a igreja – 16 a 23 de setembro de 2017

Lição 13 O EVANGELHO E A IGREJA

Pr. Albino Marks

“Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé” (Gl 6:10).
Sábado, 16/09/17
INTRODUÇÃO
Chegando ao final deste breve, mas consistente tratado, Paulo volta-se para a piedade prática da experiência espiritual. Aconselha os crentes que sempre tratem com amor aos que caem em falta, e estejam atentos às ciladas do inimigo para também não serem envolvidos. É importante semear a boa semente na prática do bem.
Exorta a Igreja sobre a responsabilidade de prover o sustento daqueles que ministram a Palavra de Deus. “Quem recebe o ensinamento da Palavra reserve uma parte de todos os seus bens em favor daquele que o instrui” (Gl 6:6, Tradução Ecumênica da Bíblia.
Paulo não costumava requerer paga pelo ministério que estava desenvolvendo, mas labutava com as próprias mãos para obter o seu sustento. Em sua carta aos filipenses diz-lhes que “nenhuma Igreja me fez participar em uma conta de ‘deve’ e ‘haver’, a não ser somente vós” (Fp. 4:15, Tradução Ecumênica da Bíblia).
No entanto, em várias de suas cartas recomenda às igrejas para que aprendam a dar o sustento àqueles que lhes pregam o evangelho. Aos coríntios, sem o declarar, lembra a lei do dízimo instituído por Deus para o sustento daqueles que prestam serviços no templo, dizendo-lhes: “Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho, que vivam do evangelho” (1Co 9:14, Almeida Revista e Atualizada).
Estimula os crentes sobre a importância de semear a boa semente na prática do bem. Os princípios que regem a conduta do Céu devem ser introduzidos na conduta do homem aqui na terra. Precisa aprender a viver neste mundo como embaixador do reino celestial. Os outros precisam ver em sua conduta que não pertence a este mundo.
O atributo básico do cidadão do Céu é o amor. “O amor precisa ser o móvel de ação. O amor é o princípio básico do governo de Deus no Céu e na Terra, e deve ser o fundamento do caráter cristão” (Conselho Sobre Mordomia, p. 197).
Volta mais uma vez ao tema do tratado, lembrando que pela fé em Cristo os circuncisos e os incircuncisos tornam-se irmãos. Proclama a razão de sua glória: Cristo Jesus e este crucificado em favor dele e do mundo inteiro.
PENSE – “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6:7, Almeida Revista e Atualizada).
DESAFIO – “E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos” (Gl 6:9, Nova Versão Internacional).
Domingo, 17/09/17
RESTAURADO OS CAÍDOS
“Irmãos, Se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com o espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado” (Gl 6:1, Almeida Revista e Atualizada).
Descrevendo a experiência da piedade prática, que é o estágio onde a justiça comunicada é transmitida para o caráter mediante a atuação do Espírito Santo na vida do pecador perdoado e justificado, Paulo admite que alguém pode ser apanhado pelo inimigo, cair em falta e ser surpreendido por outro irmão. Como este deve agir? “Corrigi-o com brandura”.
Para alguém cair em falta é necessário haver a falta e existir algo que declare o que é falta. Se negamos a vigência da lei moral é preciso criar outro instrumento para desempenhar este papel e declarar quando alguma prática é falta. Por que criar outro instrumento se ele já existe? A correção, como deve ser feita? Corrigir do que para o que? Não existindo padrão para avaliar, não existe falta para corrigir.
Logo, esta declaração de Paulo dentro do contexto da vivência espiritual, a piedade prática, admite forçosamente a existência do instrumento que aponta a falta e que pode ser usado para corrigir o faltoso com brandura.
Provavelmente aqui temos um sério problema como Igreja. Somos muito mais tendentes para punir o faltoso do que corrigi-lo com brandura. Esquecemos que a Igreja foi estabelecida para ser o hospital de Deus onde os doentes do pecado devem encontrar a cura para as suas enfermidades espirituais. Paradoxalmente somos tendentes a transformar a Igreja no tribunal para condenar e punir. Esta maneira de agir com toda a certeza deve ser corrigida.
Alguém afirmou com boa dose de razão: “O cristianismo é o único exército do mundo que mata os seus feridos”. É preciso rever nossa conduta, como Igreja, para com aqueles que o inimigo atinge com os seus “dardos inflamados” e aplicar com amor o remédio que cura estas feridas virulentas do pecado. A correção muitas vezes se torna necessária, mas sempre deve ser aplicada como lenitivo para destruir o pecado e restaurar o pecador.
PENSE “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação” (Mt 26:41, Almeida Revista e Atualizada).
DESAFIO “Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem” (Rm 12:21, Nova Versão Internacional).
Segunda, 18/09/17
CUIDADO COM A TENTAÇÃO
“Guarda-te que também não sejas tentado”. Depois de aconselhar que seja tratado com brandura aquele que cair em falta, Paulo faz a advertência para aqueles que se julgam seguros em sua vida espiritual: “Cuide para que o diabo não o tente e engane”. Mais uma vez o apóstolo deixa claro que uma vez justificado não significa que o pecador está fora da possibilidade de ser tentado, cair e pecar. Jesus mesmo fez a solene advertência para os Seus discípulos: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação” (Mt 26:41, Almeida Revista e Atualizada).
Em verdade a vida cristã é uma guerra contra as hostes das trevas e do mal. Enquanto permanecemos firmes nAquele que nos chamou, podemos ter a certeza de vitória sobre as tentações. Mas se o olhar da fé se desviar do Autor da fé, para acontecer a queda, é apenas um passo. E como é fácil dar este passo quando deixamos de confiar em Jesus!
Deus tem a Sua galeria de heróis. Homens e mulheres que foram honrados por Deus, não por grandes conquistas militares, mas porque pela fé alcançaram vitórias espirituais na luta contra o pecado.
Somos justificados pelo perdão concedido mediante Jesus. Como justificados não podemos continuar vivendo como perdoados e justificados pecadores; precisamos viver como pecadores perdoados e justificados que vencem. “Tende bom animo, Eu venci o mundo” (Jo 16:33, Almeida Revista e Atualizada).
Esta é a razão da existência da Igreja. Os membros da Igreja, pecadores, precisam tornar-se vencedores. É preciso tornar-se um pecador perdoado, justificado e vencedor. A vitória é assegurada para os que se apegam a Cristo, Autor e Consumador da fé.
PENSE – “Portanto, também nós, com tal nuvem de testemunhas ao nosso redor, rejeitando todo o fardo e o pecado que nos envolve, corramos com perseverança para o certame que nos é proposto, com os olhos fixos nAquele que é o Autor e Realizador da fé, Jesus, que, em vez da alegria que Lhe foi proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e Se assentou a direita de Deus” (Hb 12:1e 2, Bíblia de Jerusalém).
DESAFIO – “O vencedor receberá esta herança, e Eu serei o seu Deus e ele será meu filho” (Ap 21:7, Bíblia de Jerusalém).
Terça, 19/09/17
LEVANDO AS CARGAS UNS DOS OUTROS
Todos têm as suas próprias cargas para levar. Ainda que seguindo a lei de Cristo, de ajudar àqueles que se encontram em problemas, nunca conseguiremos arrostar com todos os fardos que cada um carrega. Cada um deve aprender a carregar os seus próprios fardos confiando no auxílio divino. Paulo não costumava valer-se do seu ministério para viver às expensas dos outros. Aos tessalonicenses declara: “Nem jamais comemos pão à custa de outrem; pelo contrário, em labor e fadiga, de noite e de dia, trabalhamos, a fim de não sermos pesados a nenhum de vós” (2Ts 3:8, Almeida Revista e Atualizada).
No entanto, existem cargas espirituais, momentos de tribulação e angústia, enfermidades traiçoeiras, lutas pesadas contra o inimigo de nossas vidas, estas são cargas que devem ser partilhadas com os irmãos, que sempre devem estar prontos para tornar-se um ponto de apoio nestas circunstâncias.
O caráter do Pai deve ser retratado no caráter do filho. A generosidade do Pai é ilimitada, e espera por filhos que revelem o mesmo espírito. Toda dádiva vem das mãos generosas do generoso Pai, dono do Universo. Isto deve ser reconhecido pelo ato de fazer o bem.
A generosidade precisa tornar-se o sinal de identidade entre Pai e filhos. O maior teste de uma experiência espiritual sadia e vigorosa encontra-se na prática do bem em favor daqueles que enfrentam cargas pesadas
Sobre o altar do Gólgota, a dádiva foi deposta sem mancha de egoísmo, como revelação máxima de amor e abnegação. Assim ensinou que o serviço abnegado em favor do semelhante, envolve uma profunda experiência espiritual que tem como propósito máximo desenvolver no homem o caráter à semelhança do caráter divino. Amor desinteressado gera amor desinteressado. O amor desinteressado não pergunta: Quanto ou o que receberei em troca? Mas, quanto ou o que devo fazer? “Os que ambicionam o Céu, devem, com toda a energia que possuem, alimentar os princípios do Céu. Em vez de definhar pelo egoísmo, sua alma deveria expandir-se pela benevolência. Dever-se-ia aproveitar toda oportunidade para fazer o bem, uns para com os outros, acariciando assim os princípios do Céu” (Primeiros Escritos, p. 269).
PENSE “Ordene-lhes que pratiquem o bem, sejam ricos em boas obras, generosos e prontos a repartir” (1Tm 6:18, Nova Versão Internacional).
DESAFIO “Pois nenhum de nós vive apenas para si, e nenhum de nós morre apenas para si” (Rm 14:7, Nova Versão Internacional).
Quarta, 20/09/17
A LEI DE CRISTO
“Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo” (Gl 6:2, Almeida Revista e Atualizada).
Qual a lei de Cristo que Paulo recomenda que, como filhos justificados e salvos, cumpramos? A do serviço em favor do próximo. O verdadeiro filho de Deus se identificará com o Doador da vida e das bênçãos em favor de Seus filhos. Jesus declarou que o genuíno amor por nosso semelhante nos identifica como filhos de Deus: “Novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; assim como Eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13:34 e 35, Almeida Revista e Atualizada).
“Porque, se alguém julga ser alguma coisa, não sendo nada, a si mesmo se engana. Mas prove cada um o seu labor e, então, terá motivo de gloriar-se unicamente em si e não em outro. Porque cada um levará o seu próprio fardo” (Gl 6:3-5, Almeida Revista e Atualizada).
Paulo coloca perante os seus filhos na fé os mesmos princípios que Jesus colocou perante os discípulos: “Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos” (Mc 10:43 e 44, Almeida Revista e Atualizada).
Esta é a lei de Cristo: Ser humilde e prestar serviço em favor daqueles que se encontram ao nosso redor. Cristo evoca o centro de Sua missão: “Pois o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10:45, Almeida Revista e Atualizada).
Assim como Cristo deu a Sua vida, também os Seus discípulos devem entregar-se em serviço desinteressado em favor de seus semelhantes.
Todavia, se alguém tem aspirações nobres, procure alcançá-las para que possa prestar melhor serviço. Paulo sempre aprovou esta espécie de aspirações, pois na carta a Timóteo, diz: “Fiel é a palavra: Se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja” (1Tm 3:1). Esse que tem tais aspirações, primeiro deve provar por meio de seu trabalho que realmente recebeu dons da parte do Espírito Santo para estas tarefas. Com esta visão da maneira divina de agir, não terá desejos de aparecer diante dos outros e ser louvado, ou valer-se da oportunidade para tornar-se um dominador. No entanto, se tornará agradecido a Deus por tê-lo vocacionado para desenvolver atividades em favor da Igreja e de pecadores necessitados.
PENSE “Nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos. Cada um de nós deve agradar ao seu próximo para o bem dele, a fim de edificá-lo” (Rm 15:1, 2, Nova Versão Internacional).
DESAFIO “Pois nenhum de nós vive apenas para si, e nenhum de nós morre apenas para si” (Rm 14:7, Nova Versão Internacional).
Quinta, 21/09/17
SEMEAR E COLHER
Paulo mais uma vez demonstra que todos são responsáveis perante Deus. Deus coloca perante todo ser humano a oportunidade da escolha. “Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência” (Dt 30:19, Almeida Revista e Atualizada).
Aceitar a Jesus significa que colocamos nossa vida sob o controle do Espírito Santo e passamos a seguir as Suas instruções que são transmitidas mediante a Palavra. É pelo estudo diário que nos alimentamos do pão da vida para viver. Se passamos a viver relaxadamente somos responsabilizados por este modo de vida.
Seguindo as inclinações naturais dos nossos desejos, estamos semeando para a própria carne e seguramente a colheita será nesta direção. Por esta razão o próprio Paulo orienta e adverte: “Pois o pendor da carne é revolta contra Deus: Ela não se submete à lei de Deus, nem sequer o pode. Sob o domínio da carne não se pode agradar a Deus” (Rm 8:7 e 8, Tradução Ecumênica da Bíblia).
Perdoados e justificados pela graça manifestada por Jesus, santificados pela operação do Espírito Santo em nosso caráter, devemos produzir os frutos como resultado deste novo relacionamento, praticando boas obras. Algo precisa dizer ao mundo que nos rodeia do que a graça fez por nós. Disse Jesus: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5:16, Almeida Revista e Atualizada).
Em verdade é impossível separar a graça e a justiça pela fé, das boas obras geradas pelo grande acontecimento da justificação. É tão impossível como separar a noite do dia. Um segue ao outro em sequência natural e espontânea. Assim também a prática de boas obras é espontânea para quem verdadeiramente passou pela experiência da justificação por graça. Se a prática de boas obras não acontecer é porque a graça não recebeu a oportunidade para atuar.
Não existe linha demarcatória para fazer o bem. Jesus ensinou que o nosso próximo é todo aquele que está necessitado de ajuda. No entanto, Paulo faz questão de enfatizar que a primeira responsabilidade é com aqueles que vivem a mesma fé, o mesmo amor e a mesma esperança.
PENSE “Não vos enganeis: De Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna” (Gl 6:7, 8. Almeida Revista e Atualizada).
DESAFIO “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos. Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé” (Gl 6:9, 10, Almeida Revista e Atualizada).
Sexta, 22/09/17
ESTUDO ADICIONAL
Quando a carne controla os nossos desejos colocamo-nos em atitude de revolta contra Deus como se fosse o nosso inimigo. Perdemos o senso que Deus nos ama com amor que transcende a tudo o que podemos imaginar. Não conseguimos compreender que nos quer salvar e preparar para viver com Ele para sempre.
Quando somos perdoados e justificados por Cristo o único caminho seguro é entregar a nossa vida ao controle do Espírito Santo, para que nos faça semear e produzir os frutos do Espírito. É de Paulo a orientação: “Eu os aconselho a obedecerem somente as instruções do Espírito Santo. Ele lhes dirá aonde ir e o que fazer, e assim vocês não estarão fazendo sempre as coisas erradas que a natureza pecaminosa de vocês quer que façam” (Gl 5:16, Bíblia Viva).
Quando a liderança do Espírito Santo assume o controle de nossa vida, o inimigo perde o poder de influência e os nossos desejos são direcionados para o alto, onde Cristo está e onde se centraliza nossa esperança de vida eterna.
Com Cristo entronizado no coração nossos anseios nos conduzem para a identidade com Cristo em nossa maneira de viver, praticando boas obras para abençoar o nosso semelhante.
O problema para compreender esta experiência está no fato de as boas obras se identificarem com os princípios da lei moral. Fazer o bem significa praticar os princípios da lei moral. Porque é a lei moral que ensina o que é bom e o que é mau, o que é certo e o que é errado, o que é justo e o que é injusto, o que é puro e o que é impuro, o que é santo e o que é contaminado… O que complica mesmo, é que dentro da lei moral está um preceito que ordena santificar o dia de sábado. A observância deste preceito tal como comunicado por Deus, demonstra que verdadeiramente O amamos e fazemos brilhar esta relação de amor para os que nos rodeiam.
PENSE – “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos. Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé” (Gl 6:9, 10, Almeida Revista e Atualizada).
DESAFIO – “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5:16, Almeida Revista e Atualizada).