A queda em pecado
Lição 03 A QUEDA EM PECADO
Pr. Albino Marks
“Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” - Rom. 7:24.
INTRODUÇÃO – No estudo do tema desta semana, uma questão muito importante merece ser considerada em relação ao pecado, a obra de Deus neste mundo, tornando-o um belo jardim e a queda de Adão: A onisciência e a imutabilidade de Deus. Deus não se depara com imprevistos ou emergências. Todos os acontecimentos são previstos e os caminhos a seguir são planejados e pré-estabelecidos. Isto não significa que Deus determina os acontecimentos, mas prevê-os e tem a solução para cada acontecimento.
Assim foi com a obra criadora na terra. O plano fora estabelecido na eternidade e o surgimento do pecado não alteraria o programa do Criador Eterno. “Pai e Filho empenharam-se na grandiosa, poderosa obra que tinham planejado - a criação do mundo… Depois que a Terra foi criada, com sua vida animal, o Pai e Filho levaram a cabo Seu propósito, planejado antes da queda de Satanás, de fazer o homem à Sua própria imagem”. - HR. pág. 20.
Deus não pode mudar o cronograma planejado porque a Sua onisciência determina a sua imutabilidade “Desde o começo eu anuncio o que vai seguir, desde o passado, o que não está ainda executado. Eu digo: ‘Meu desígnio subsistirá, e tudo o que me agrada, eu o executarei”. – Is. 46:10 – TEB.
Não há acontecimento algum que possa alterar a rota do programa divino de ação. Tudo está previsto desde o começo. Foi o que sucedeu na obra criadora em nosso mundo. Deus executou-a segundo a determinação estabelecida na eternidade, mesmo correndo o risco da queda do homem e o prolongamento do conflito contra Satanás.
PENSE – “Eu crio a luz e a escuridão. Eu controlo todos os acontecimentos, os bons e os maus. Eu, o Senhor, é que faço todas essas coisas”. – Is. 45:7 – BV.
DESAFIO – “Eu sou o Senhor; este é o meu nome! Não darei a outro a minha glória nem a imagens o meu louvor”. – Is. 42:8 – NVI.
REBELIÃO NO JARDIM – No que realmente consistiu o pecado de Adão? Ele rompeu o relacionamento com Deus fundamentado no amor, na harmonia e na confiança.
Quanto estava envolvido neste ato da quebra do relacionamento de amor e de harmonia da parte de Adão? Quando Adão, conscientemente tomou do fruto proibido e comeu, “porque Adão não foi seduzido”, - I Tim 2:14 - TEB, negou e rejeitou a existência de seu Deus e Criador como único Deus e Senhor. Praticou a idolatria ao ambicionar tornar-se igual a Deus, negando a sua dependência. Profanou o nome de Deus ao colocar em dúvida a Sua palavra. Rejeitou a Soberania do único Deus, Criador, Mantenedor e Senhor do Universo, ao aceitar a mentira do tentador, contra o qual fora advertido e alertado. Desonrou o Pai, não atendendo as Suas sábias orientações e advertências. Trouxe a morte sobre si e seus descendentes. Adulterou as ordens de Deus, ao aceitar a idéia de que ele poderia ser como Deus. Roubou a Deus de Sua glória, ao aceitar a orientação do tentador e desejando tornar-se um deus. Jogou falso testemunho contra Deus ao desconfiar de Suas ordens. Foi dominado pela cobiça desejando uma posição que somente pertence a Deus.
O pecado de Adão constituiu-se em um ato de rebelião contra o seu Criador e Senhor, rompendo o relacionamento de amor, harmonia e confiança. Este ato trouxe suas conseqüências sobre toda a raça e todo o planeta. “Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores,…”. – Rom. 5:19 – ARA.
PENSE – “Adão e Eva, ao serem criados, tinham conhecimento da lei de Deus; estavam familiarizados com os reclamos da mesma relativamente a si; seus preceitos estavam escritos em seu coração”. - PP. pág. 363.
DESAFIO – “No amor não existe medo”. - I João 4:18.
ESCRAVOS DO PECADO – Paulo, em seu arrazoado, descrevendo de modo dramático a guerra espiritual e sua condição de escravo do pecado, culmina com o argumento da única solução: “Pois eu me comprazo na lei de Deus, enquanto homem interior, mas em meus membros descubro outra lei que combate contra a lei que a minha inteligência ratifica; ela faz de mim o prisioneiro da lei do pecado que está em meus membros. Infeliz que eu sou! Quem me livrará desse corpo que pertence à morte? Graças sejam dadas a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor! Eis-me, pois, ao mesmo tempo sujeito pela inteligência à lei de Deus e pela carne, à lei do pecado”. - Rom. 7: 22-25 - TEB.
“Lei de Deus e Lei do pecado” - Paulo declara francamente que em sua inteligência ratifica a lei de Deus como a norma para a sua conduta, mas em seus membros descobre outra lei que o faz prisioneiro da lei do pecado. A lei de Deus determina um modo de conduta que é combatido pela lei do pecado que determina outro modo.
Intelectualmente Paulo se comprazia na lei de Deus e o declara de maneira enfática: “Com a mente sou escravo da lei de Deus”, mas o poder do maligno o dominava de tal modo que a prática contradizia a sua teoria: no espírito anelava viver os princípios da lei moral, mas o maligno o fez escravo do pecado com tal poder, que na carne, o fazia praticar o pecado. Como praticava o pecado, estava separado e em desarmonia com Deus. A lei moral acusava o seu pecado e o declarava morto espiritualmente e condenado à morte física. Como escapar dessa situação de morto espiritual e condenado à sentença física fatal? Só uma alternativa: a graça de Deus por meio de Cristo Jesus.
PENSE – “Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não ninguém que faça o bem, não há nenhum sequer”. – Rom. 3:12 - NVI.
DESAFIO – “Pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus”. – Rom. 3:23 – NVI.
MORTE ESPIRITUAL – (Leia o texto em Pense) Paulo arrazoa que ele só conheceu o pecado porque a lei esclarece o que é pecado. Se a lei não dissesse que a cobiça é pecado, logo deixaria de ser pecado. Mas a cobiça é uma prática carnal que mata a relação espiritual de harmonia com Deus, portanto, é um ato contra Deus.
Paulo fala como se fosse pagão vendido ao pecado, para dizer que antes de ter o conhecimento da lei moral, praticava toda a sorte de pecados e, contudo vivia. Como que dizendo: eu vivia no pecado, mas achava que tudo estava bem. Mas quando tomou conhecimento da lei moral, também tomou conhecimento do pecado e se deu conta que realmente estava morto, um morto espiritual, em conseqüência do pecado que o separou de Deus. Deu-se conta que fora enganado pelo pecado, que o induziu a praticar tudo o que a lei moral declara como mau e pecaminoso. Como pela lei moral, foi nele despertado o senso espiritual da realidade do pecado, que rompeu a sua relação com Deus, faz a categórica declaração: “a lei é santa, e o mandamento, santo e justo e bom”.
Paulo levanta a pergunta: Acaso foi a lei moral, que é uma coisa boa, espiritual e santa que me matou. Absolutamente não. Mas o pecado contra o qual a lei moral adverte que é sobremaneira maligno e mortal, este causou a morte. A lei moral é o instrumento espiritual que determina a conduta no sentido de agradar a Deus, mas Paulo reconhece que a natureza humana é carnal, vendida à escravidão do pecado. Vivendo sob o domínio do pecado e com o conhecimento da lei moral, acusando o pecado, Paulo descreve a luta espiritual que se trava em sua mente. No espírito quer praticar o bem, mas a carne o seduz a praticar o mal.
PENSE – “Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçaras. Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda sorte de concupiscência; porque sem a lei está morto o pecado. Outrora, sem a lei, eu vivia; mas, sobrevindo o preceito, reviveu o pecado, e eu morri. E o mandamento que me fora para vida, verifiquei que este mesmo se me tornou para morte. Porque o pecado, prevalecendo-se do mandamento, pelo mesmo mandamento me enganou e me matou. Por conseguinte, a lei é santa; e o mandamento, santo e justo e bom”. - Rom. 7:7-12.
DESAFIO – “Acaso o bom se me tornou em morte? De modo nenhum; pelo contrário, o pecado, para revelar-se como pecado, por meio de uma coisa boa, causou-me a morte; a fim de que pelo mandamento se mostrasse sobremaneira maligno. Porque bem sabemos que a lei é 4espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado”. - Rom. 7:13 e 14.
MORTE FÍSICA E ETERNA – A morte espiritual determina a morte física. Deus declarou para Adão: “No dia em que dela comer, certamente você morrerá”. – Gen. 2:17 - NVI. Adão não caiu fulminado no momento em que comeu do fruto proibido. Em verdade, se assim acontecesse, ele muito provavelmente não cometeria o pecado de comer do fruto, pois antes teria encontrado Eva morta. Adão e Eva morreram espiritualmente rompendo o relacionamento de amor, harmonia e confiança com o seu Deus e Criador.
Paulo assim argumenta sobre a morte espiritual como fruto do pecado: “E então, o que é bom se tornou em morte para mim? De maneira nenhuma! Mas, para que o pecado se mostrasse como pecado, ele produziu morte em mim por meio do que era bom, de modo que por meio do mandamento ele se mostrasse extremamente pecaminoso. Sabemos que a lei é espiritual; eu, contudo, não sou, pois fui vendido como escravo ao pecado”. – Rom. 7:13 e 14 – NVI.
A lei é espiritual porque é fundamentada sobre princípios espirituais. Paulo declara: “De fato a Lei é santa, e o mandamento é santo, justo e bom”. E, em outra parte: ”Portanto, o amor é o cumprimento da Lei”. – Rom. 7:12 e 13:10 – NVI. A lei é a base do relacionamento espiritual com Deus.
Santidade, justiça, bondade e amor são atributos do caráter de Deus. E, Deus é espiritual. Quando Adão pecou, ele quebrou o relacionamento espiritual separando-se de Deus e, portanto, naquele momento morreu espiritualmente, demonstrando-o pelo ato de esconder-se de Deus.
Para sermos libertos da morte física, precisamos ser ressurretos da morte espiritual. A ressurreição espiritual nos liberta da morte física, graças à morte substituta de Jesus.
PENSE – “Mas se Cristo está em vocês, o corpo está morto por causa do pecado, mas o espírito está vivo por causa da justiça”. – Rom. 8:10 - NVI.
DESAFIO – “Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados”. – Ef. 2:1 - NVI.
A REAÇÃO DE DEUS AO PECADO HUMANO – A confirmação da grandeza do amoroso caráter de Deus é demonstrada na manifestação do Seu plano redentor para o homem vencido. Esta gloriosa, grandiosa revelação de amor nunca penetrou a mente rebelde de Lúcifer apesar de ter sido alvo e empenho deste amor. Não imaginemos que o surgimento da perversidade na mente de Lúcifer foi uma atitude que não recebeu a mais profunda demonstração de amor da parte do Pai, procurando demover a Sua mais exaltada criatura de seu perigoso caminho.
“Embora tivesse deixado sua posição como querubim cobridor, se contudo estivesse ele disposto a voltar para Deus, reconhecendo a sabedoria do Criador, e satisfeito por preencher o lugar a ele designado no grande plano de Deus, teria sido reintegrado em suas funções… Um compassivo Criador, sentindo terna piedade por Lúcifer e seus seguidores, procurava fazê-los retroceder do abismo de ruína em que estavam prestes a emergir… Os anjos fiéis ainda instavam com ele e com os que com ele simpatizavam, para que se submetessem a Deus…”. – PP. Págs. 21 e 22.
Assim, nosso Deus, que é amor, é justiça, tomou a iniciativa indo ao encontro de Adão depois de seu pecado. “Onde está você?… Quem lhe disse que você está nu? Você comeu do fruto da árvore da qual lhe proibi comer?” - Gên. 3:9 e 11 – NVI. Procuro imaginar o sentimento da voz de Deus ao fazer estas perguntas. Aqueles que Ele criou para Sua glória, (Is. 43:7), contra Ele se rebelaram.
Lúcifer, transformou-se em Satanás e tornou-se objeto da “ira de Deus sobre os que vivem na desobediência”. – Ef. 5:6. Qual a nossa reação em face da maravilhosa revelação do amor de Deus?
PENSE – “Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas e me inclinei para dar-lhes de comer”. – Os. 11:4 – ARA.
DESAFIO – De longe se me deixou ver o Senhor, dizendo: Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí”. – Jer. 31:3 – ARA.
ESTUDO ADICIONAL – Adão e Eva foram prevenidos de que estariam por um período de tempo sob prova em relação à sua lealdade. Receberam total informação de todo o problema surgido no Céu e que envolveu todo o Universo, e sabiam que a Trindade e os anjos estariam ao seu lado para livrá-los das astutas ciladas do inimigo. Terminado o período de prova, com a vitória de Adão e Eva sobre o tentador, pela fé na palavra de Deus e na assistência do Seu poder, o enganador teria sido destruído para sempre junto com seus demônios e o pecado não teria tido a oportunidade de estender-se por seis mil anos. “Se Adão e Eva tivessem vivido de toda palavra procedente da boca de Deus, não teriam jamais caído, jamais perdido o direito à árvore da vida… Deus criou o homem para Sua glória para que, após um período de prova, a família humana se tornasse uma com a família celestial”. - Ellen G. White, MM. 2002, pág. 211 e SDABC, vol. 1, pág. 1082
Se fossem vencidos, a solução do problema do pecado seguiria o caminho que estamos acompanhando. Houve a queda e para evidenciar toda a malignidade do usurpador em seus atos, ele recebeu um período de tempo para desenvolver a sua obra destruidora. A distância que se abriu entre a felicidade daqueles que decidiram servir a Deus e a desgraça do mundo sob o domínio do enganador desfaz todas as dúvidas em relação ao caráter de Deus e ao de Lúcifer. Os verdadeiros desígnios do caráter de Deus e de Lúcifer tornam-se tão evidentes perante todo o Universo, que fazem o profeta Naum proclamar com inquestionável certeza: “Que tramais contra o Senhor? Ele fez tábua rasa; a angústia não mais reaparecerá”. – Naum 1:9 – TEB.
PENSE – “O Espírito Santo era o mais elevado dos dons que Ele podia solicitar do Pai para exaltação de Seu povo. O Espírito ia ser dado como agente de regeneração, sem o qual o sacrifício de Cristo de nenhum proveito teria sido. O poder do mal se estivera fortalecendo por séculos, e espantosa era a submissão dos homens a esse cativeiro satânico. Ao pecado só se poderia resistir e vencer por meio da poderosa atuação da terceira pessoa da Divindade, a qual não viria com energia modificada, mas na plenitude do divino poder. É o Espírito que torna eficaz o que foi realizado pelo Redentor do mundo. É por meio do Espírito que o coração é purificado. Por Ele, o crente torna-se participante da natureza divina. Cristo deu Seu Espírito como um poder divino para vencer todas as tendências hereditárias e cultivadas para o mal, e para gravar Seu próprio caráter em Sua igreja”. – Rev. and Her. 19 de novembro de 1908 – MM. 1999, pág. 13.